Um filho quer-se entre árvore e pássaro, com coração dentro. Maiúsculo, sim, o coração, exatamente do tamanho do amor que o ajudou a construir. Um filho quer-se vestido de esperança, iluminado de futuro, preparado para enfrentar os ventos apanhados nos moinhos alucinantes do tempo. Um filho quer-se plantado no chão de casa, mas com o espírito de céu. Assim: com raízes e com asas. Um filho quer-se nosso, mas do mundo.
Só o amor saberá pronunciar a palavra exata, a mais doce, a mais forte, aquela que ajuda um filho a crescer. E um filho quer-se grande. Só os abraços saberão limpar os olhos e mostrar que depois da noite, há sempre uma manhã, aquela que ensinará um filho a sorrir. E um filho quer-se feliz. Só as mãos saberão amparar os passos mais difíceis, aqueles que ajudam um filho a encontrar o seu lugar. E um filho quer-se forte. Só o silêncio saberá entender as dores mais profundas e ajudar um filho a enfrentar o mundo. E um filho quer-se pronto. Direito. Digno. Capaz. Um filho quer-se capaz de enfrentar o frio da noite, porque, em casa, há sempre um colo à sua espera.
Um filho quer-se árvore. Com raízes feitas de ternura e com ramos fortes e sãos que saibam abraçar os outros ramos que vão partilhando do seu chão. Com folhas que estendem a sua renda no chão que o criou, como se esse chão fosse um bordado, como se esse chão precisasse da sua sombra para poder sobreviver.
Um filho quer-se pássaro. Com asas livres de todas as amarras, asas de sonhos azuis e desejos de felicidade. Com o mar no olhar e o céu no peito. Porque é aí que mora o futuro. Na possibilidade de conquistar o seu próprio sonho.
Um filho tem a forma do amor. Porque tem Coração dentro. E é por causa dessa forma que é árvore e que é pássaro. E futuro. Em cada chão de um filho, se planta o verbo viver, assim, no infinito. Porque para sempre. O verbo viver também se quer árvore e pássaro, raiz e asa, passado, presente e futuro. Como o nome Filho: eterno.








