Ilustração: David Oliveira | Texto: Teresa Carvalho

É dia de Festa! Eram 50 anos a viver a aventura de chegar perto!
A cerimónia, cuidadosamente preparada, reunia todos os que podiam estar presentes.
O “Campo de trabalho” mantinha-se ativo e renovado a cada ano. Vivo!
Partilhar, durante 15 dias, nas férias de verão, as vidas, trabalhos, desafios, culturas, dificuldades, sonhos e esperanças de habitantes de zonas do interior, muitas vezes esquecidas, era o projeto que, todos os anos, congregava e identificava o grupo do “Campo de trabalho”.

E em cada ano, preparavam sempre de forma especial e nova e experimentavam a comunhão ao estilo dos primeiros cristãos: partilhavam tudo o que levavam, o que eram, o que sabiam, podiam e aprendiam. E, alimentados por uma sede de infinito e sentindo o Espírito que tudo renova, integravam-se na comunidade aprendendo e ajudando a realizar as tarefas de cultivo da terra, de cuidados aos animais, visitando os doentes e velhinhos, animando crianças e jovens em atividades recreativas, culturais, e sempre, culminando o dia com a festa da Eucaristia, em grande comunidade, onde a música entusiasta levava a mensagem de um amor Divino a fazer-se ouvir nos montes e vales.

E quanto este pequeno grupo aprendia com a comunidade que, temporariamente, integravam… a humildade heróica e silenciosa das suas gentes, a partilha generosa dos bens que possuíam, sem pedir nada em troca, a sede da novidade e da aprendizagem com sentido, o reconhecimento agradecido por tudo quanto recebiam, os esforços dispendidos na realização dos sonhos, o amor aos “seus”, a esperança e força que dava asas para voar bem mais alto, a alegria partilhada das pequenas e grandes conquistas…

Nestas partilhas, como por magia, em cada dia, sentiam que o sol nascia bem mais intenso e avivava no universo todas as cores do arco-íris, desenhada por essa experiência próxima do amor que se faz irmão! Na forja da fraternidade, o interesse pela história de cada um, as anedotas, as partidas, os acidentes, as orações e os trabalhos, tudo fazia ponte de ligação entre pessoas que se deixavam ser próximas e tinham vontade e oportunidade de dar o melhor de si e construir relação!
Foi tudo isto, e uma força que só o Espírito de um Deus amoroso pode construir e saberá explicar, que projetou e manteve um grupo tornado família.

Na cerimónia do 50.º aniversário, ali estava a Manuela, conhecida de todos, a dar como sempre, as “gargalhadinhas à Manuela”, a abraçar com o calor de “mãe”, a desfilar memórias que arquitetam a história do “Campo de trabalho”, reavivada pelos presentes e testemunhada nos 50 álbuns criados ao longo dos campos.

A Manuela não imaginaria que, o projeto que desenhou com outros amigos, se manteria após 50 anos e com uma vitalidade que o projeta no futuro, com novos jovens a cantar e a abraçar a mesma canção da esperança num universo mais irmão.

Nesta festa da vida do “Campo de trabalho”, todos foram recordados, alguns já a viver numa dimensão maior, mas todos sentidos irmanados enquanto viajantes numa mesma “barca com Cristo no comando”, sabendo-se aprendizes de um mundo novo, que também depende de nós fazer acontecer!

 

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