Marisa chegou de rosto iluminado. Nem cumprimentou como sempre fazia. Sentou-se com pressa ao meu lado e em tom efusivo, comentou em jeito de confidência:
– Nem imaginas onde vou no próximo fim de semana!
A cada hipótese minha, Marisa negava divertida, mas impaciente por partilhar o que a movia:
– Vou a um retiro da Consolata!
O meu espanto foi total: não sabia o que era a “Consolata”, mas “retiro” não era o que me parecia que Marisa procurava. O que seria a “Consolata” para merecer tanto e tão repentino entusiasmo?
Passei a tarde a ouvir Marisa contar a história do beato José Allamano, sem cansaço e com a vivacidade de alguém que encontrou um tesouro que procurava há muito e que ultrapassava longamente o sonhado.
Marisa passou a rezar. E a sua oração tornou-se necessidade e condição de bem-estar. A sua entrega era séria, e como em tudo, assumia o compromisso por inteiro.
O que eu sei é que Marisa andava feliz.
Saí dali atordoada. Incomodada, até: Marisa e a sua convicção e entrega fizeram-me questionar o meu lugar. Não… esta não é a minha vocação! – pensei eu, e instalei-me de novo na minha tranquilidade quieta.
Mas a minha amiga insistia: dizia que tinha tanto para me contar do beato Allamano, das missões onde os Missionários e Missionárias da Consolata levavam a Consolação de Maria e de Cristo aos mais frágeis, da forma como criavam condições de promoção da dignidade e defesa dos seus direitos!
Um dia apresentou-me a um seu amigo missionário que, segundo ela, também gostaria de me conhecer. Aceitei.
O nosso encontro proporcionou nova viagem ao poder transformador da mensagem e espiritualidade do beato Allamano e da Consolata. Deixei-me cativar. E nesse dia, passei a ter um novo amigo.
Foi este amigo que me desinquietou. Quis saber que contributo poderia eu dar, assumindo que eu teria algo para partilhar. Desculpei-me com a falta de tempo, distâncias, incapacidade…
Mas não resultou. O meu novo amigo era convincente e persistente. Pediu que eu participasse com uma mensagem na revista Fátima Missionária. Para as minhas dúvidas, o meu novo amigo, padre da Consolata, tinha solução: “Aprenderá” – disse ele.
E aprendi: muito! Aprendi sobretudo a admirar o grupo de pessoas que dedicam tanto da sua vida à Consolata e a esta revista!
Aprendi a olhar as imagens e as palavras como o espelho dos sofrimentos, alegrias, paixões, lutas, vidas, só conhecidas e divulgadas porque há alguém com sensibilidade e dedicação, que as procurou e testemunhou e que grita a urgência de viver a mensagem e os valores do beato Allamano, na formação
de uma consciência coletiva consoladora.
Aprendi, enquanto leitora, a sentir a necessidade e importância da notícia, da visibilidade das pobrezas ocultas; a agradecer a força transformadora e a esperança feita presença de quem se importa, nos quatro continentes, denunciando injustiças e desbravando soluções de mais humanidade.
A estas aprendizagens, juntam-se amizades que sustentam, e uma profunda gratidão por ser aceite, na pequenez de um contributo, no projeto grandioso da Consolata e do beato Allamano: ser mensageira e obreira da Consolação, hoje.








