Ilustração: David Oliveira | Texto: Susana Teles

Na nossa vida temos a grata oportunidade de conhecer muitas pessoas que marcam a nossa história e contribuem decididamente para o nosso crescimento pessoal. E que bom que é tê-las na nossa vida. Não

imagino a vida sem elas. Estou convencida que seria uma pessoa bastante mais pobre.
Em 1988 conheci o padre Eusébio. Ia fazer o meu primeiro campo de trabalho (uma atividade de missão que se realiza na Madeira, normalmente no mês de agosto) e fomos dois dias antes de iniciar a nossa atividade, visitar o local, a Ribeira da Tabua, um sítio isolado nas serras da Ribeira Brava. Bem-disposto por natureza e por convicção, de sorriso fácil e luminoso, bom conversador, e de uma energia contagiante. Era assim o padre Eusébio. Gostava de contar piadas e de fazer piada com as peripécias da vida. Ensinava dessa forma a olharmos para nós próprios e para os outros com maior leveza e a encararmos os nossos erros com naturalidade e como oportunidade de crescimento. E apesar de vincar que um cristão não precisa de estar à espera de elogios, não se coibia de fazê-los quando achava oportuno. E sempre com um toque de humor.

E nas brincadeiras, era o primeiro a alinhar. Ria-se perdidamente com as partidas que fazíamos uns aos outros. Com isso, fortalecia-se o sentimento de pertença ao grupo e desanuviavam-se as tensões do dia intenso de trabalho.

Nas suas homílias cativava a assembleia. Aproximava-se das pessoas, interpelava-as, concretizava o

Evangelho com a vida, fazendo pensar e despertando a vontade de conversão.
Aos meus 18 anos, aprendi o que é dar a outra face. Não estava à espera da forma como o exemplificou, mas de facto ficou gravado na minha memória. É que falar de forma teórica ou abstrata é fácil, mas quando temos de agir em conformidade, torna-se mais difícil. Mas é essa a diferença em ser cristão. Não é sabermos e falarmos do Evangelho, é vivermos como Jesus Cristo. Em cada situação da nossa vida, como reagiria Jesus, o que diria, como responderia? E se sou Seu discípulo, então sou convidado a fazer como Ele. É esta a beleza de ser cristão.

O padre Eusébio gostava de apelar a que fôssemos “gente de categoria”, pessoas que são felizes, que se interessam pelos outros, que trabalham ou estudam com entusiasmo (apesar dos obstáculos e dos sofrimentos), que não ficam ofendidos com tudo e com nada (como dizia, uns ‘vidrinhos embaciados’) e que não estão à espera de protagonismo. Somos cristãos empenhados com a vida.

E fê-lo até ao fim da sua vida terrena, sempre com um sorriso, apesar da doença, e conservando o sentido de humor.
Obrigada, padre Eusébio!

 

 

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