São três dias de sinais, de gestos delicados, de atenções e de um amor infinito. São três dias de entregas e de partilhas, de morte e de vida, de trevas e de luz. São os três dias que resumem a vida inteira: os caminhos de passagem, o alimento, o serviço, a morte e a ressurreição.
Primeiro, a ideia da transitoriedade da vida. Não pertencemos aqui. Passamos. Apenas. Como no tempo do Egito, vivemos com a pressa do passado, os rins cingidos, as sandálias nos pés e o cajado na mão. Por isso, talvez não valha a pena nos prendermos ao que não interessa. Por isso, meu amigo, temos é de guardar a memória dos gestos bons, dos sorrisos luminosos, da esperança da primavera, da fertilidade da terra, dos dias felizes.
Depois, sentamo-nos à mesa. E a ternura de Deus desconcerta-nos: é o despir do manto, é a toalha atada à cintura, é a humildade de um Homem que lava os pés aos outros homens. É Deus que cuida de nós, um por um, como se cada um de nós fosse a maior das criaturas.
Mas há o resto. O peso da dor da Sexta-feira que concentra o que nos dói [e tem-nos dado tantas dores!]. A angústia. A morte. A cruz. A Dele.
A nossa.
Deixo-me, porém, ficar nas palavras, – dos que me deste, não perdi nenhum.
E penso em todos os que tive e que deixei partir, sem esperança, sem conseguir ensinar a lição de dar a vida pelos amigos que aprendi com o abraço que Aquele Homem me deu.
E, no fim, a Luz. Depois do inverno, a primavera. Depois da morte, a vida. Uma espécie de novo Natal,
– não está aqui, ressuscitou!
Outro gesto. De amor. A morte da morte. A paz.
A vida em três dias: passagem, alimento, serviço, sofrimento, esperança. E Deus. De braços abertos à espera do nosso abraço.








