Foto: Gustavo Figueiroa

Um estudo liderado pelo Centro de Monitorização e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) revela que entre 2019 e 2020 a região do Pantanal, no Brasil, registou a pior seca dos últimos 50 anos. Com base nos índices de precipitação e nível dos rios, os investigadores concluíram que o nível do rio Paraguai foi o mais baixo desde 1971 e a região como um todo recebeu entre 50 e 60 por cento menos chuva do que o normal.

A somar a esta seca histórica há a lamentar também o aumento do número de queimadas (possivelmente feitas por produtores rurais para abrir novas áreas de pastagem), com mais de 22 mil focos de incêndio detetados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o que significa mais 76 por cento do que em 2005, o ano recordista na série histórica iniciada em 1988. Em consequência, cerca de 30 por cento do bioma foi destruído.

A dimensão do impacto destes incêndios sobre a fauna ainda está a ser estudada, mas entre os possíveis efeitos observados recentemente estão os peixes mortos ou a agonizar nas margens do rio Miranda, no município de Corumbá. Os investigadores ainda não possuem dados que associem esta seca às alterações climáticas, mas asseguram que sem as mudanças intensas de uso da terra no Pantanal nas últimas décadas, a seca dificilmente teria provocado incêndios como os de 2020, complementando com o alerta de que “se as tendências climáticas e de manejo da terra atuais persistirem, o Pantanal como o conhecemos deixará de existir”.

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