Uma das palavras mais presentes na Igreja Católica desde 2021 é sinodalidade. Foi nesse ano que o Papa Francisco iniciou um sínodo dedicado ao tema, convidando toda a Igreja a refletir sobre a necessidade de caminhar juntos. A trilogia que sustenta este processo – comunhão, participação e missão – recorda que a Igreja não pode continuar como está, sobretudo no que toca ao clericalismo, presente tanto entre consagrados como entre leigos.
A sinodalidade não é novidade: o próprio Cristo viveu-a enquanto catequizava os seus discípulos. Com a sua encarnação, Ele assumiu o “caminhar juntos”, tornando‑se igual a nós e servo de todos. Ao assumir esta condição de servo, como Maria e tantos cristãos ao longo da história, mostrou que, desde o batismo, somos todos discípulos e missionários. Antes de enviar os apóstolos pelo mundo então conhecido, lavou‑lhes os pés na Última Ceia e chamou‑os “amigos”. E antes disso, enviou vários discípulos em missão, dois a dois, confiando neles e valorizando as suas capacidades e talentos.
A realidade atual mostra, porém, que a Igreja continua atrasada. Basta recordar o Concílio Vaticano II
e perceber como muitos dos seus objetivos permanecem por cumprir, sobretudo o de aproximar a hierarquia dos fiéis. A sinodalidade afirma que “todos contam”, mas a prática ainda está longe disso. Recordo um episódio de 2024 que se passou comigo: ao preparar o Dia Mundial das Missões, pedi ao responsável de um grupo de jovens que organizasse comigo uma vigília dedicada àquela data. Ficou surpreendido – nunca lhe tinham pedido tal colaboração. A dinâmica foi um sucesso e, no ano seguinte, os jovens assumiram toda a celebração.
A sinodalidade é essencial, mas exige formação e experiência dos leigos, ainda escassa em muitas comunidades. E que dizer quando, há uns anos, uma vigararia não tinha um único diácono permanente? Não sei se seria a única, mas a verdade é que a formação dos leigos é de extrema importância para não continuarmos “a correr atrás do prejuízo”. É preciso dar voz, espaço e responsabilidade a todos, para que a comunhão, a participação e a missão deixem de ser palavras e se tornem vida concreta na Igreja.








