Irmã Vanina (de camisola vermelha) com jovens imigrantes em Lisboa | Foto: DR

A irmã Vanina Miño é uma religiosa argentina que está em missão em Portugal. Tem 48 anos e nasceu na província de Santa Fé, no centro da Argentina. Sempre quis ser missionária. Aos 16 anos começou a ter contacto com as Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo e, aos 22, tornou-se uma religiosa desta congregação. É também assistente social.

Religiosa é uma das participantes do Curso de Missiologia, que está a decorrer em Fátima

Em Portugal está em missão há três anos, dedicando-se ao acompanhamento de imigrantes. Vive com outras duas religiosas da mesma congregação num apartamento em Casal de Cambra, concelho de Sintra, distrito de Lisboa. As irmãs têm vizinhos originários de vários países, como Cabo Verde, Moçambique e Angola, com quem mantêm uma saudável relação de vizinhança.

Os imigrantes apoiados pelas irmãs são, sobretudo, mulheres com crianças. A maioria trabalha como empregada de limpeza. “Esta realidade é um desafio muito grande. Às vezes, a minha vocação missionária, consagrada e religiosa, está implícita. O anúncio do Evangelho e do amor de Deus faz-se muitas vezes no silêncio, através da nossa presença. Muitas vezes, em primeiro lugar, está o meu trabalho como assistente social”, disse a religiosa à FÁTIMA MISSIONÁRIA, à margem do Curso de Missiologia, formação em que está a participar na Cova da Iria.

No contacto com os imigrantes, a irmã percebe que “eles têm o desejo de melhorar a sua situação”, mas “muitas vezes não conseguem”. “Vêm com sonhos que não conseguem conquistar, o que para nós é uma preocupação.” Apesar das contrariedades e das dificuldades de adaptação a Portugal, “não pensam regressar aos seus países de origem” devido às acentuadas dificuldades que enfrentam lá.

Além da Argentina, a irmã  esteve em missão na Bolívia e no Chile. Uma das suas missões foi dar aulas a reclusos. Em Espanha, trabalhou dez anos. Na cidade espanhola de Valladolid, lidou com mulheres em situação de prostituição. “Acompanhei mulheres em processo de saída e outras que ainda não conseguiam sair. Para mim, aquela foi uma realidade muito chocante. Não acreditava que mulheres espanholas estivessem nessa situação. Lidei com mulheres que se viam obrigadas a permanecer naquela situação para conseguirem dinheiro para coisas básicas como comida e habitação. É muito triste esta realidade.”

A irmã faz um balanço positivo da sua vida. “A minha vocação missionária é colaborar com a missão de Deus. Envolvo-me na missão a que Deus me enviar. Eu sou uma enviada. Não sou a dona da minha vida. A minha vida já não me pertence. Sinto-me uma missionária de mãos abertas. Para mim é uma alegria. Eu sou feliz.”

Desenvolvimento de atividades com um grupo de jovens em Espanha | Foto: DR

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