Mudança de vida aconteceu após a morte da esposa e da entrega da gestão da empresa aos filhos | Foto: DR

Serafino Piras, um leigo missionário italiano, recebeu a “Medalha Pro Ecclesia et Pontífice”, uma das mais altas condecorações concedidas pelo Papa a leigos e religiosos que prestam serviços relevantes à Igreja Católica. A cerimónia decorreu na Catedral de Tete e foi presidida por Luís Miguel Munõz Cardaba, Núncio Apostólico em Moçambique, que entregou a medalha em nome do Papa Leão XIV, perante todos os sacerdotes da diocese de Tete e uma numerosa assembleia de fiéis.

Serafino Piras recebeu uma das mais altas condecorações concedidas pelo Papa | Foto: DR

A distinção, concedida a 31 de março, resultou de um pedido especial apresentado por Diamantino Antunes, Missionário da Consolata e bispo de Tete. O prelado solicitou esta condecoração para “agradecer e fazer conhecer o trabalho social e religioso deste missionário leigo, que deixou tudo para servir os mais necessitados”, explicou o bispo a partir de Moçambique, em resposta às perguntas enviadas por email pela FÁTIMA MISSIONÁRIA (FM).

Natural de uma vila da ilha da Sardenha, Serafino foi fundador e dirigente de uma empresa, sediada em Milão, dedicada à montagem de equipamento para aquecimento doméstico. Após a morte da sua esposa e depois de entregar a gestão da empresa aos filhos, decidiu mudar-se
para Moçambique e dedicar-se ao serviço da Igreja e das comunidades locais. Está ao serviço da diocese de Tete, de forma totalmente gratuita, desde 2009. Foi em Moçambique que conheceu os Missionários da Consolata e onde se tornou um “grande amigo” desta congregação, como ele próprio afirmou em declarações à FM.

Prestes a completar 80 anos, recorda o que o levou a partir: “A razão que me levou a deixar tudo e ir para Moçambique foi sobretudo humanitária. Queria dar aos jovens, que são a maioria da população, a oportunidade de se educarem através da escola e do desporto”. Depois de alguns anos na Missão de Inhangoma, a partir de 2016 o leigo dedicou-se “inteiramente” ao serviço da diocese de Tete, “estando disponível para todo o tipo de serviços, sobretudo no setor da construção”. Ao fim de semana, dedica-se também à pastoral, “visitando e rezando nas comunidades cristãs”.

Leigo dedica-se à construção de escolas, centros de saúde e capelas | Foto: DR

Ao longo dos anos, Serafino trabalhou na construção de escolas, centros de saúde e capelas, bem como na recuperação de edifícios religiosos de grande valor histórico, como as missões de Boroma e Miruro e o antigo seminário do Zobuè. O bispo de Tete sublinha que “as escolas e os centros de saúde ajudaram a levar a luz da educação e os cuidados médicos essenciais a comunidades isoladas, distantes destes serviços essenciais”. Por sua vez, “as capelas e o restauro de missões antigas contribuíram para revitalizar a vida e religiosa e social em lugares bastante esquecidos e periféricos”.

Sobre aquilo que o move, Serafino é claro: “A minha motivação é a gratuitidade – dar de graça aquilo que recebi de graça. São os valores cristãos, de justiça e caridade, que sempre me inspiraram e que me motivam a servir”. Destaca também as obras que mais o marcaram: “A edificação e apoio às escolas, dão-me a satisfação de ajudar as crianças a ter um futuro melhor. Sinto também um grande contentamento pela reabilitação de lugares históricos da diocese de Tete, como o seminário do Zobuè e as missões de Boroma e Miruro, em reconhecimento do trabalho árduo dos primeiros missionários e para os colocar novamente ao serviço das populações, tanto no âmbito religioso como social.”

No momento da entrega da medalha, Serafino tinha ao seu lado o filho Leonardo, que viajou de Itália em nome da família para testemunhar aquele momento. “Senti uma grande alegria. A condecoração é também um reconhecimento da ajuda dada pela minha família e amigos. Gostaria que isto despertasse noutros o desejo de servir as pessoas mais necessitadas.”

Quanto aos efeitos do seu trabalho, o leigo italiano não hesita: “O impacto é positivo. Acho que consigo despertar nas comunidades energias que estão desaproveitadas por falta de união e organização. As pessoas colaboram nas nossas obras e sentem-se responsáveis. Também percebo que, com boa vontade, é possível fazer muito com pouco”.

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