Leão XIV quis recordar seu predecessor, Francisco, que iniciou a tradição do almoço com os pobres (15 novembro 2025). Foto @Vatican Media

Desta vez, porém, o Papa Prevost não resumirá o encontro com os mais vulneráveis a um almoço, como o fizera o ano passado, a 17 de Agosto, quando reuniu 100 pessoas da Diocese de Albano, onde se situa o Palácio Apostólico. Envolvendo «pessoas que vivem em situação de pobreza, refugiados, migrantes e outras condições de fragilidade social», o segundo ano desta iniciativa terá «um valor eclesial especial», como anunciou na quarta-feira o serviço noticioso da Santa Sé, Vatican News.

 Um almoço com o Papa…

Sábado de manhã, após a eucaristia, celebrada na liturgia inspirada na Encíclica Laudato si’, Leão XIV terá um momento descontraído de convívio com os seus duzentos convidados no Borgo Laudato si´– um centro de formação ecológica surgido da vontade de Francisco, em 2023, integrado no perímetro de Castel Gandolfo –, seguindo-se uma visita por aquele espaço natural, guiada pelo próprio Papa.

Mas este “almoço com o Papa”, como o próprio fez questão em designar a iniciativa, confirma a atitude ousada de Leão XIV diante dos mais desvalidos, principais vítimas duas problemáticas mais críticas com que a humanidade actualmente se confronta: as alterações climáticas e a tragédia da imigração. O reconhecimento foi feito pelo cardeal Fabio Baggio, o director-geral do Centro di Alta Formazione Laudato Si’, ao afirmar na passada terça-feira, que «depois de Lampedusa, este dia [próximo sábado] representa uma nova etapa do caminho do Papa Leão XIV rumo às periferias sociais do nosso tempo».

Ocorrida 13 anos depois de o seu antecessor ter escolhido Lampedusa como destino da sua primeira viagem fora de Roma, a data da comemoração do 250º aniversário dos EUA (passado dia 4) para visitar aquela ilha mediterrânica não foi certamente ocasional. Leão XIV não se limitou a homenagear os imigrantes que ali não conseguiram chegar; na homilia da missa que celebrou, realçou a acção de quem acolhe os que ali conseguem chegar: «Vim agradecer a vós, irmãos e irmãs de Lampedusa, pela solidariedade que tantos de vocês demonstraram, [porque] o milagre da compaixão é uma revolução interior que faz aflorar em nós o ‘coração’ de Deus».

Quem fez questão de estar presente em Lampedusa foi o padre Daniel Groody, membro Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano. Este norte-americano, que também é professor de Teologia da Universidade de Notre Dame, no estado da Indiana (participante do projecto Borgo Laudato si’, ver abaixo), ao jornal católico OSV News daquele estado dos EUA não se eximiu de reconhecer que «especialmente agora no Quatro de Julho, [o Papa] está a assinalar o que é a verdadeira liberdade. A verdadeira liberdade é a capacidade de amar».

…num local benéfico para o planeta

A escolha do Borgo Laudato si’ para este segundo “Almoço com o Papa” pretende igualmente assinalar que «a custódia da criação e o cuidado com a pessoa são uma única missão», como assinalou na terça-feira passada, o cardeal Fabio Baggio, na apresentação da iniciativa.

Manifestando o desejo de que o encontro seja «um dia de acolhimento e fraternidade», o Papa partilhará a refeição no Borgo Laudato si’, espaço de cinquenta e cinco hectares onde inaugurou, no dia 5 de Setembro passado, o que ele designou como «uma semente que pode dar frutos de justiça e de paz».

Na ocasião, Leão XIV definiu o jardim como uma «catedral natural», agora destinado não somente para visita (com «acesso gratuito para pessoas em dificuldades económicas», assinala o Vaticano), mas também como lugar de «actividades de formação» para estudantes e lugar de recreação para pessoas portadoras de deficiência.

Entretanto, em Março passado foi inaugurada a «Aliança Global», uma rede internacional «dedicada à ecologia integral e à sustentabilidade global», colocada ao serviço de diferentes centros de pesquisa – já que este território, além dos espaços de lazer da residência pontifícia, está ocupado com agricultura, onde se integra uma vinha biodinâmica.

Promovida pelo Centro de Estudos Avançados Laudato si’ e pela Universidade Notre Dame (Indiana), esta infraestrutura proporcionará aos investigadores todo um espaço que, outrora, era parte das Vilas Pontifícias de Castel Gandolfo.

Assim, a «Aliança Global» enquanto «infraestrutura compartilhada» da Igreja Católica, «capaz de ampliar o impacto global da ecologia integral, unindo fé, ciência e justiça social», pretende tornar-se «uma rede estratégica de esperança, capaz de traduzir o compromisso com a ecologia integral em projetos concretos e duradouros em nível global», conforme anunciou em Março a Vaticano News, na apresentação da iniciativa.

Texto redigido por Mário Robalo/jornal 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

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