Os furacões atingiram a Nicarágua entre 3 e 16 de novembro | Foto: Arquidiocese de Manágua

As comunidades católicas da Nicarágua recolheram várias ajudas para as vítimas dos furacões Iota e Eta, que foram entregues no passado fim de semana “em segredo”, por recomendação do arcebispo de Manágua, cardeal Leopoldo Brenes. O purpurado temia a intervenção das forças policiais, que se manifestaram contrárias a este tipo de campanhas de solidariedade.

Na sua homilia dominical, o cardeal Brenes pediu aos fiéis que ajudassem as pessoas atingidas pelos furacões, mas que o fizessem “sem propaganda, de forma humilde e sincera, sem procurar reconhecimento”. E o apelo foi cumprido na maioria das paróquias, com destaque para a Catedral Metropolitana de Manágua, onde os doadores conseguiram deixar as ajudas, num local sem acesso aos meios de comunicação.

O secretismo pedido aos crentes, na canalização dos bens, está relacionado com as várias denúncias de supostas ameaças por parte da polícia nicaraguense contra quem recolhia ajuda para as vítimas, segundo várias fontes anónimas dos arredores da capital, ouvidas pela agência Fides.

Até agora, as autoridades governamentais ainda não emitiram um relatório completo sobre os danos causados pelos furacões que atingiram a Nicarágua entre 3 e 16 de novembro. A vice-presidente, Rosario Murillo, apenas disse que cerca de 160 mil pessoas ficaram desalojadas após a passagem do furacão Iota. E o ministro Iván Costa revelou que o Eta destruiu 1.890 casas e causou estragos em outras 8.700 só no município de Puerto Cabezas.

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