Há coisas que se aprende com o tempo. Ou com a vida. Ou com o que o tempo e a vida fazem do que somos. Aprende-se a agradecer cada dia e tudo aquilo que nos traz de luz e de esperança, de riso e de paz. Aprende-se a valorizar os gestos delicados e as palavras pequenas sussurradas nas horas certas. Aprende-se a aproveitar os matizes das papoilas nos campos de trigo. Aprende-se a olhar e a guardar a Beleza no peito, como se faz com os beijos e com os sorrisos.
Aprende-se, sim: que nem toda a ausência é distância, que nem todo o silêncio é vazio, que nem toda a solidão é esquecimento. Aprende-se que nem tudo é bom, mas que também nem tudo é mau, que um dia pode ter várias estações.
O tempo ensina-nos a esperar, ensina-nos a paciência da espera, aquela que revoluciona a vontade e obriga a parar, apenas porque não há mais nada a fazer, senão parar.
Crescer é aprender o tempo nos sonhos e nos desencantos. Por fases. No vagar que cada tempo do Tempo possibilita. Na pressa que cada tempo do Tempo exige…
É assim. E assim se passam os dias, com o tempo a imprimir no corpo as marcas que, tentas vezes, nos perturbam.
Talvez por isso,
É preciso abrandar. Serviam, para isso, outros domingos; servem, agora, as férias, quando as entendemos como [e para usar a nova língua] “atualizar e reiniciar”. E, nesse tempo, contemplar, apreciar, reorganizar a alma, cuidar do corpo, e preparar o que pode vir: de sol e de noite, de riso e de lágrimas, de paz e de guerra, de vida…
Porque a vida é assim, “composta de mudanças”, como disse o poeta, um caminho de peregrino. E faz-se bem, desde que, no alforge, nunca nos falte a coragem e a esperança.








