Foto: PAM / Falume Bachir

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) deverá “ajudar 750 mil deslocados pela violência no norte de Moçambique, bem como pessoas vulneráveis nas comunidades de acolhimento”, informam os serviços de comunicação da Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar dos “desafios logísticos e de segurança”, a ajuda “será distribuída nos próximos meses nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Niassa e Zambézia”, adianta a ONU.

Entre os deslocados está Maria, que se encontra num centro de alojamento temporário em Pemba, capital de Cabo Delgado, com os dois filhos, após uma viagem de barco de 400 quilómetros, que durou 24 horas. Recordando o ataque ocorrido a 24 de março, em Palma, Maria lembra que ouviu “tiros de longe seguidos de gritos”, o que a levou a deixar os seus bens para trás e a fugir para o matagal, com os seus dois filhos, passando diversas privações e sempre dominada pelo medo.

Antonella D’Aprile, representante do PMA em Moçambique, refere que “esta é uma catástrofe humanitária de proporções épicas”. A responsável afirma que as pessoas “estão completamente traumatizadas com a violência que testemunharam nos últimos dias e agora, mais do que nunca, precisam de ajuda”.

Perante este cenário dramático, o Programa Mundial de Alimentos encontra-se a prestar assistência alimentar de emergência, nomeadamente através de biscoitos fortificados e rações de arroz, leguminosas, óleo vegetal, alimentos enlatados como sardinha, feijão e água. O Serviço Aéreo Humanitário da Organização das Nações Unidas, gerido pelo PMA, já “evacuou 380 civis em necessidade desesperada, incluindo mulheres, crianças e pessoas feridas”, adiantam os serviços de comunicação da organização intergovernamental.

Devido a questões de segurança, o PMA “suspendeu temporariamente os voos de Afungi para Pemba”, mas o serviço continua a apoiar outras operações no norte de Moçambique. A Programa Mundial de Alimentos encontra-se a trabalhar com os deslocados internos e também com as comunidades de acolhimento. Segundo as Nações Unidas, “até ao momento, os ataques já deslocaram mais de 668 mil pessoas”.

Texto: Juliana Batista

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