Foto: EFE / J. Ragel

“Sem os migrantes, a ‘bazuca’ europeia, o dinheiro que vai ser injetado nas economias, o objetivo de revitalizar as economias, não vai ocorrer, ou melhor, não vão ocorrer tão depressa quanto naqueles países que apostam nos migrantes”, afirma o chefe da Missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Portugal.

Em declarações à agência Lusa, a propósito da videoconferência informal dos ministros da Justiça e Assuntos Internos, integrada na presidência portuguesa do Conselho da UE e agendada para quinta e sexta-feira, Vasco Malta aponta os migrantes como “peões essenciais” na revitalização económica da União Europeia (UE).

Portugal assumiu a presidência do Conselho da UE em 01 de janeiro e recebeu da anterior presidência alemã a difícil negociação de um novo Pacto sobre Migração e Asilo. Nas conversações que tem tido com representantes do governo, para lhes transmitir as recomendações da OIM em matéria de migrações, o responsável diz ter notado “uma clara intenção por parte da presidência portuguesa em fechar o maior número de dossiês ligados a estas negociações”, mas reconhece que “é, de facto, um desafio bastante grande”.

O importante, sublinha Vasco Malta, é “não esquecer os princípios fundamentais” inscritos no Pacto, como a criação de vias legais e seguras de imigração, investimento na integração, parcerias sustentáveis com os países de trânsito e de origem de migrantes, reforço das vias complementares de migração (reinstalação, recolocação e reunificação familiar), digitalização de todos os procedimentos transfronteiriços, e impacto das alterações climáticas, que “vão ter repercussões dramáticas na mobilidade humana”.

Nos encontros com os representantes do governo português, Malta tem deixado claro que “a OIM está preparada para ajudar os diversos Estados-membros”, nomeadamente no que respeita à digitalização do processo transfronteiriço, à legislação sobre saúde, à melhoria da cooperação técnica-operacional da UE com África, aos mecanismos de retorno das pessoas aos países de origem ou de trânsito.

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