Pode a fraternidade tornar-se um princípio económico capaz de transformar a economia, as organizações, as instituições e a vida pública? É esta a pergunta central da escola de verão internacional da Economia de Francisco, que vai decorrer de 29 de agosto a 3 de setembro em Osnabrück e Mettingen, na Alemanha.
A iniciativa reúne 35 participantes de 26 nacionalidades, selecionados entre 98 candidaturas, e constitui a primeira edição da escola de verão internacional da Economia de Francisco realizada fora de Itália. O encontro pretende reforçar a dimensão internacional de um movimento lançado em 2019, na sequência do apelo do Papa Francisco a jovens economistas, investigadores, empresários e agentes de mudança de todo o mundo para repensarem a economia.
Com o tema “The Economics of Fraternity – From Lived Reality to Measured Impact” (“A economia da fraternidade – da realidade vivida ao impacto mensurável”), a edição deste ano da escola propõe uma semana de aprendizagem e participação que cruza investigação académica, empreendedorismo, inovação, vida comunitária e reflexão espiritual.
O programa inclui conferências, apresentações dos participantes, sessões de posters, oficinas colaborativas, encontros com instituições locais e momentos de reflexão. Através do “Fraternity Challenge” (Desafio da Fraternidade), os participantes serão também convidados a desenvolver propostas concretas para responder a desafios do mundo real a partir dos princípios discutidos durante a semana.
Um índice para medir a fraternidade
Um dos momentos centrais da escola será a apresentação do EoF Fraternity Index, uma nova ferramenta de investigação desenvolvida pela The Economy of Francesco Foundation (fundação criada em 2024).
O índice pretende medir a fraternidade dentro das economias nacionais e entre diferentes economias, procurando abrir novas formas de compreender o desenvolvimento económico através da perspetiva das relações de fraternidade.
A iniciativa parte da convicção de que uma economia centrada apenas em indicadores tradicionais é insuficiente para avaliar a qualidade das relações económicas e sociais. A fraternidade é, assim, apresentada como “uma dimensão que pode influenciar a forma como funcionam as organizações, as instituições e a vida coletiva”.
A diversidade dos participantes será uma das características da escola. Investigadores, académicos, empresários e agentes de transformação social, provenientes de diferentes países, disciplinas e áreas profissionais, irão partilhar experiências e procurar respostas comuns para os desafios económicos e sociais contemporâneos.
É o caso de uma investigadora de doutoramento dedicada à história do pensamento económico, que pretende aprofundar uma abordagem interdisciplinar à economia civil, ou de um agricultor e empresário indiano ligado à agricultura biológica, que parte da convicção de que “a fraternidade existe em todo o ecossistema”.
O programa contará igualmente com a participação de investigadores e especialistas como Luigino Bruni, Helen Alford, Paolo Santori, Felix Osterheider, Maren Wilmes e Henning Müller, além de representantes de instituições de investigação, empresas, organizações da sociedade civil e instituições públicas locais.
Uma nova etapa internacional
A escola é organizada pela The Economy of Francesco Foundation, em colaboração com a Draiflessen Academy, o Coppenrath Innovation Centre e o Innovatorium.
A realização da primeira escola internacional fora de Itália é apresentada pela organização como um “marco no crescimento da comunidade e no reforço das suas parcerias internacionais”.
Nascida do convite do Papa Francisco a jovens de todo o mundo para repensarem a economia, a Economia de Francisco afirma ter vindo a consolidar-se como uma comunidade internacional empenhada numa economia mais justa, inclusiva e sustentável, colocando no centro a dignidade humana, as relações, o cuidado e o bem comum.
A passagem da reflexão sobre a fraternidade para a tentativa de a medir através de um instrumento próprio marca, neste encontro na Alemanha, uma nova etapa: a procura de formas de transformar um princípio ético e relacional num critério concreto para pensar o funcionamento das economias.








