Ilustração: David Oliveira | Texto: Zé Moreira

Maria era uma criança alegre e amável. Era filha única. Gostava muito de brincar, contemplar o céu e apreciava a dança das folhas e dos ramos das árvores, ao ritmo da música do vento. Prezava muito os sonhos. Era uma autêntica sonhadora!

Os seus pais andavam sempre ocupados e preocupados com a atividade profissional, os familiares debilitados e com idade avançada e outros parentes que requeriam o apoio financeiro para fazer face às despesas diárias. Apesar de tudo, eram pais presentes. O tempo útil acontecia, ao final da tarde e à noite. Eram momentos de diálogos interessantes e brincadeiras humorísticas.

Alguém habitava no apartamento ao lado da sua habitação: uma senhora, de meia idade, bem vestida e perfumada. Passava horas a ler, em voz alta, sentada confortavelmente numa poltrona verde, na varanda, com vista para o mar. Ali estava uma pequena mesa com uma toalha branca bordada e um livro de capa dourada.

Todas as noites, a senhora confidenciava à família e aos amigos, o tema do livro do dia. Era tanta a paixão por livros! Maria ficava deslumbrada com tanto saber e informação.

Numa noite, teve um sonho. Via crianças, alegres e felizes, a segurar livros nas mãos. O seu quarto estava cheio de pequenos e volumosos livros. Acordou e ficou triste. Era apenas um sonho de olhos cerrados. Apressadamente, foi espreitar a varanda da vizinha. Ali estava, bem tranquila, a ler outro livro, com páginas apinhadas de imagens mágicas e sublimes. Mas, de vez em quando, fazia uma pausa. Lia excertos do livro de capa dourada e ficava em silêncio, com os olhos fixos no céu.

Todos os dias Maria acompanhava, com muita atenção, as palavras bem pronunciadas e declamadas pela vizinha. Ficava maravilhada! Apenas queria participar e partilhar a sua opinião. Todavia, permanecia na sua varanda a observar a vizinha. Porém, a sua timidez não permitia aproximar-se mais e iniciar um diálogo.

Um determinado dia, validou a coragem que abarcava no seu coração. Abeirou-se da senhora com um sorriso contagiante. Rapidamente, estava a discursar dos livros, dos títulos, das palavras, das expressões, mais atraentes e mais construtivas, e dos autores. Era tudo mágico! Ainda ficou mais fascinada quando a vizinha leu, em voz alta, a parábola do filho pródigo, do livro de capa dourada. Foi uma conversa demorada.

Atualmente, Maria tem muitos livros, uns oferecidos pela vizinha, a professora Ana, já aposentada, e outros pelos seus pais, Isabel e Zacarias, e alguns amigos: Pedro, André, Salomé e Maria Madalena.

Cada manhã, transporta para a escola alguns livros que faculta às suas colegas. Até ofereceu alguns livros à biblioteca da escola.
A sua vizinha fez-lhe compreender que os livros são tesouros preciosos que fazem capacitar sonhos para dar outro sentido à vida.
Hoje, Maria é mais feliz! Presentemente, é uma menina apaixonada por livros.

 

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