A Fátima é assim, uma força da natureza, sempre disposta a animar e a pôr tudo a mexer. Ela não se cansa? Naturalmente, mas a vontade de estar, de querer que os outros se sintam bem, que vivam o dia com alegria, leva-a a imaginar, criar e inventar continuamente.
Conheço-a há já algum tempo e é impossível estar quieta à sua beira.
“A boca fala e as mãos trabalham” diz frequentemente quando estamos a preparar alguma atividade. E nem pensar aldrabar ou fazer menos bem. É certo que recomeçaremos de novo.
A Fátima agora trabalha num lar de terceira idade e, logo que chega, anuncia-se: “Façam barulho”. E lá vai ela cheia de genica ajudar os idosos e sobretudo a criar com eles novos projetos e tarefas. E sempre com muita música. Sim, não pode faltar música e um bailarico. Quando acaba o dia vem cansada, mas muito feliz. E eu estou certa de que aqueles com quem ela esteve nesse dia, também estão felizes.
Antes, e durante mais de duas décadas, trabalhou com crianças e jovens com necessidades especiais. O entusiasmo com que falava do seu trabalho, das crianças, de como um deles tinha ficado tão feliz quando recebeu um rádio, porque gostava muito de música, de como outros tinham encenado ou dançado num evento, era impossível ficar-lhe indiferente. Transmitia um sentimento de orgulho e de alegria, por contribuir para aumentar as capacidades daqueles com quem trabalhava e por vê-los felizes. Não parava de desafiá-los e de pensar em novas atividades e formas de os fazer desenvolver. E também as brincadeiras: os jogos de almofadas, as rodas. Sempre com alegria. É este o seu lema: a alegria. E uma alegria contagiante.
Em casa, também não se coibiu de acompanhar o seu pai e a sua mãe nos seus últimos anos de vida, ainda que isso lhe retirasse alguma “liberdade” para fazer ou ir onde quisesse. A sua prioridade eram “os seus” e nos últimos anos, a sua “velhinha”. Mimou-a enquanto pôde. Mesmo já acamada, desfazia-se em afazeres para ter sempre a sua mãe confortável e longe de perigos. Contava com o apoio dos irmãos, especialmente na hora das refeições, o que a tranquilizava e a ajudava a seguir com a sua missão.
O Senhor traz à nossa vida amigos como a Fátima, que nos ajudam a viver com alegria, a encarar os problemas com esperança e a escolher com caridade. E que bom que é ter oportunidade de partilhar a vida com alguém assim. É uma verdadeira bênção.








