A Feira do Livro do Porto, que começa esta sexta-feira nos Jardins do Palácio de Cristal, conta também este ano com a presença de editoras ligadas à Igreja Católica. Entre elas incluem-se as Publicações Jesuítas e a Editorial Casa do Gaiato, que levam aos leitores obras de espiritualidade, teologia e vida cristã.
Entre 21 de agosto e 6 de setembro, a 13.ª edição da Feira do Livro do Porto apresenta 144 stands e mais de 200 iniciativas, numa programação que procura cruzar a literatura com a música, as artes performativas e o pensamento contemporâneo. É neste espaço que voltam a marcar presença propostas editoriais de inspiração religiosa.
As Publicações Jesuítas, no pavilhão 137, apresentam um catálogo com mais de 700 títulos, reunindo obras das editoriais Apostolado da Oração e Frente e Verso e representando também a Brotéria, a Difusora Bíblica, a Paulinas, a Tenacitas e a Axioma.
Entre as novidades que levam à edição deste ano estão Dançar com a Solidão e A Paixão em Contemplações de Papel, de José María Rodríguez Olaizola, sj, Tirar a Bíblia da Estante, de Miguel Gonçalves Ferreira, sj, e a encíclica Magnífica Humanidade, do Papa Leão XIV. A Agenda Litúrgica 2027 estará também disponível.
A presença jesuíta inclui ainda uma iniciativa diária: o “Livro do Dia”, com um título diferente do catálogo vendido com 50% de desconto. As revistas Mensageiro do Coração de Jesus e Cruzada terão igualmente descontos nas assinaturas digitais.
A poucos metros dali, no stand 140, estará a Editorial Casa do Gaiato. O padre Júlio Pereira, responsável pela Obra da Rua, conta ao 7MARGENS que esta “é já a terceira ou quarta vez que a instituição participa” e que “a experiência tem sido muito positiva”.
A Casa do Gaiato leva cerca de 50 títulos da sua editorial, aos quais se juntam aproximadamente outros 50 livros relacionados com a obra e com o seu fundador, o padre Américo. Entre as obras mais recentes estão Padre Américo, o Evangelho na Vida, uma tese de doutoramento sobre o fundador da Obra da Rua, e o quarto volume de Calvário.
Não está prevista, este ano, nenhuma sessão ou apresentação própria da Casa do Gaiato, mas haverá promoções nos livros, como é habitual na feira.
Mais do que a venda, porém, o padre Júlio destaca a possibilidade de encontro com os leitores. “Por um lado é importante podermos contactar com pessoas que já nos conhecem, que já são nossas amigas, já são assinantes do jornal O Gaiato“, explica. Mas a feira serve também para chegar a quem nunca teve contacto com a obra nem com o seu fundador.
“Há muita gente que já não conhece, que nunca ouviu falar do Padre Américo”, assinala. Com o passar dos anos, considera, “os mais novos vão deixando de conhecer a figura do Padre Américo e a nossa obra também”. A comunicação que procuram fazer através do jornal O Gaiato e do site da instituição “é insuficiente”, e por isso “este contacto personalizado é tão importante”, defende.
Uma das recordações que o padre Júlio Pereira guarda da participação na Feira do Livro do Porto envolve o antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. “Uma das vezes em que veio à Feira e viu o nosso stand, ficou extasiado ao encontrar o padre Américo aqui representado!”, lembra, explicando depois que a família de Marcelo tem uma relação antiga com a instituição, particularmente com a casa da Obra da Rua em Moçambique, que a mãe de Marcelo costumava visitar.
“A verdade é que as editoras ligadas à religião não costumam ter muito espaço nestas feiras, e por isso às vezes há surpresas assim”, observa o presbítero.
A participação na Feira do Livro permite ocupar esse espaço e procurar leitores para além daqueles que já conhecem as instituições, os seus jornais ou as suas publicações. Num certame que este ano se apresenta como um lugar de encontro entre livros e outras formas de expressão cultural, as propostas religiosas encontram também ali o seu lugar: seja através da espiritualidade e da reflexão teológica, como no caso das Publicações Jesuítas, seja através da memória de uma obra social e da figura do padre Américo, como acontece com a Casa do Gaiato.
Texto redigido por Clara Raimundo/jornal 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.








