Hélder Bonifácio é um padre Missionário da Consolata de 58 anos, que nasceu em Lisboa num dia significativo e recentemente celebrado – “Nasci nas vésperas do dia de Santo António, às 15h05, ano em que as marchas populares saíam pela última vez da Rua do Século” – recorda num documento enviado à FÁTIMA MISSIONÁRIA.
Tinha uma mãe professora e um pai militar. Viveu na Lourinhã e no Cazombo, em Angola, mas ainda em criança regressou com a família a Portugal. Cumpriu o ciclo preparatório no Lar Académico Militar, em Oeiras, e foi aí que, com cerca de dez anos, olhou para o padre que celebrava a missa e pensou: “Quero ser como aquele”.
Comunicou essa intenção aos seus pais, mas a reação “não foi a melhor”. Ainda assim, foram com ele até à congregação dos Missionários do Verbo Divino, em Fátima, para ver se o admitiam. No entanto, os testes de ingresso que se faziam naquela época já tinham começado e propuseram-lhe que se apresentasse no ano seguinte. “O meu pai, aproveitando-se disso, fez um trato comigo: entraria no seminário aos 18 anos, se assim permanecesse a minha vocação.”
Hélder prosseguiu o seu percurso na escola secundária, mas aos 15 anos reprovou. O diretor nessa ocasião disse à sua mãe: “Ou põe este rapaz no seminário, ou ele não fará nada aqui, porque não quer estar neste lugar!” Depois de lhe perguntarem para onde queria ir, o jovem disse que queria ser Missionário da Consolata. Esta resposta “não foi casual”, pois frequentava o “Grupo de oração e missão” no Seminário Filosófico do Cacém, onde ouviu de um seminarista uma frase que o marcou profundamente: “Deus podia-me ter dado uma paróquia de Portugal, mas deu-me o mundo como paróquia”. Estas palavras foram decisivas para optar pelos Missionários da Consolata.

Semanas depois, Hélder estava em Fátima para fazer os testes de admissão. O jovem foi aceite no seminário. Além de Portugal, o seu percurso formativo passou por Itália e Espanha. Foi ordenado sacerdote aos 28 anos, em Algueirão. Em março de 1997 partiu em missão para o estado do Roraima, no Brasil. “O meu trabalho consistia em ser responsável da Área Missionária do Caranã, que tinha cinco comunidades muito variadas, desde indígenas até descendentes de alemães.” O padre Hélder foi também professor na Escola de Artes e Ofícios da Consolata e esteve envolvido na preparação de processos de nulidade de matrimónios.
Em dezembro 1999 regressou a Portugal. Foi diretor do Consolata Museu, em Fátima, animador vocacional e responsável por um Seminário em Família. A 29 de setembro de 2002 recebeu em Ourém a distinção de cavaleiro e capelão honorário da Real Irmandade de São Miguel da Ala por ter trabalhado com a Casa Real.
Em março de 2003 partiu para Moçambique, onde esteve ao serviço em Maúa, Lichinga, Matola e Vilankulos. Estudou as línguas macua e changana, foi superior de comunidades da congregação, vigário de diversas paróquias, ecónomo em diferentes organismos, secretário da formação permanente da congregação e esteve ao serviço na revista “Caminhos”.
Foi ainda professor, uma função que interrompeu devido ao regresso do cancro, dois anos depois de ter sido operado. A doença levou-o a voltar a Portugal, mas, assim que o tratamento de radioterapia terminou, voltou a Moçambique para dar aulas a alunos de mestrado. O Instituto de Ciências e Tecnologia de Moçambique foi um dos espaços onde lecionou. Em fevereiro de 2015 foi destinado a Elche, em Alicante (Espanha), onde integrou o Serviço Conjunto de Animação Missionária, que reúne todos os institutos missionários daquele país.
Em outubro de 2020 regressou a Roma. Foi novamente ecónomo de um organismo e membro da equipa formativa do seminário maior da Consolata, em Bravetta. Desde fevereiro de 2025 encontra-se em Saragoça, Espanha, como animador missionário e vigário da Paróquia de Cristo Rey. O padre Hélder olha com felicidade para o seu percurso: “Este foi o meu caminho até agora. O futuro só Deus sabe, mas o que sei é que não me arrependo da decisão que tomei aos meus 16 anos: entrar para a Consolata.”









