Ilustração: David Oliveira | Texto: Zé Moreira

Mafalda nasceu no seio de uma família numerosa. Menina bem acolhida e amada por todos. Desde o berço familiar bebeu os valores autênticos da felicidade e experienciou o dom admirável da fé.
Os pais da menina eram verdadeiramente apaixonados e inteiramente comprometidos na nobre missão de gerir, educar e imprimir sabedoria aos filhos.

A menina gostava de palmilhar o quintal que circundava a casa, tomar parte nas brincadeiras com os irmãos e os vizinhos, saborear os frutos colhidos das árvores: as ameixas, as peras abacates, as nozes, as anonas, os araçais, as pitangas e participar nas vindimas, desde a colheita à pisa das uvas, das vinhas das castas “americano”, “canin” e “jaqué”.

Mafalda gostava da escola e queria ser professora de crianças. Gostava da catequese e participava na eucaristia. O dia da primeira comunhão foi um dia especial e feliz. Trajava um hábito de religiosa.
Nas longas férias escolares de verão, Mafalda lia os livros da Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian que de 15 em 15 dias, estacionava junto à paragem de autocarros, da rua principal da freguesia.

Era afeiçoada por livros. O irmão fazia companhia na paixão e encanto da leitura.
Aos 14 anos era catequista. As manhãs de domingo eram aprazíveis e alegres. Saía de casa às 08h45 e regressava às 13h00. As conversas interessantes com as catequistas revigoravam a amizade e aprofundavam a fé.

Aos 18 anos ingressou no Curso do Magistério Primário. Foram três anos de conhecimento, partilha de experiências, amizades e felicidade. O primeiro dia de aulas foi extraordinário e alegre. Acolheu uma turma de 39 alunos, dos oito aos 14 anos, um terceiro ano de escolaridade. O diretor da escola era um autêntico mestre de pedagogia e de fé. O ano escolar decorreu tão bem que era uma professora muito feliz.
E foram outros longos anos de lecionação. Eram tempos de preparação de aulas com professores de outras escolas. Eram tempos de conversas demoradas com os pais e alunos. Eram tempos de muito trabalho e dedicação.

Mafalda confiou sempre na providência de Deus e na proteção amorosa de Maria. Hoje, Mafalda tem a consciência que a vida entregue inteiramente oferece ternura, leveza e beleza ao entardecer da vida.

 

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