A igreja do mosteiro da Cartuxa, com uma imponente fachada de calcário do século XVIII. Foto © Carmo Montanha / Câmara Municipal de Oeiras

O Governo português classificou formalmente a Igreja e Mosteiro da Cartuxa, em Oeiras, e o Palácio do Picadeiro, no Fundão, como monumentos de interesse público. O novo estatuto, publicado esta semana em Diário da República, reconhece o “indubitável valor patrimonial, arquitetónico e cultural” de ambos os complexos históricos.

A fundação do Mosteiro da Cartuxa de Laveiras, localizado na freguesia de Paço de Arcos e Caxias, remonta a 1598, impulsionada pelo desejo dos monges de estabelecerem uma casa religiosa próxima da capital. Este é, a par com o de Évora, um dos dois únicos conventos cartuxos portugueses.

O conjunto edificado que sobreviveu até aos nossos dias preserva a delimitação arquitetónica primitiva da segunda metade do século XVII. O espaço foi pensado de forma a respeitar as particulares exigências da clausura cartusiana e destaca-se pelo seu claustro maior. Embora incompleto, este constitui o elemento de maior relevo do monumento, dando acesso às antigas celas dos monges.

A igreja do mosteiro, com uma imponente fachada de calcário do século XVIII, exibe no seu interior um monumental retábulo-mor setecentista. Contudo, o templo encontra-se hoje despojado da sua imaginária e mobiliário originais: no passado, as suas paredes acolheram importantes telas de Francisco Vieira Lusitano e de Domingos Sequeira. Este último foi noviço no mosteiro, tendo pintado obras sobre a vida de São Bruno que integram atualmente o acervo do Museu Nacional de Arte Antiga.

Atualmente gerido pelo Município de Oeiras, o antigo Convento da Cartuxa alberga desde 1903 o Instituto Padre António Vieira. Pela sua excelente acústica, este espaço tem recebido com regularidade os concertos da Orquestra Metropolitana de Lisboa e Orquestra de  Cascais e Oeiras. Devido às obras de reabilitação e ao facto de alguns dos espaços serem utilizados pela comunidade paroquial, a abertura regular ao público está limitada aos domingos, das 12h00 às 13h00.

Um palácio que já foi tudo… até abandonado

Na Beira Interior, o Palácio do Picadeiro, localizado na histórica vila de Alpedrinha (concelho do Fundão), recebeu a mesma distinção cultural. O espaço acolhe atualmente o Centro de Interpretação das Rotas da Transumância.

Erguido nas últimas décadas do século XVIII, o palácio foi edificado sobre uma antiga estrutura apalaçada conhecida como “Casa Quadrada”, que pertencera à família Taborda e, posteriormente, aos Jesuítas. Devido a constrangimentos financeiros após a morte do seu fundador, o imponente edifício de planta retangular e fachada simétrica de dois pisos ficou inacabado, iniciando um longo ciclo de abandono e reutilizações diversas.

Antes de ser adquirido pelo município do Fundão, o palácio serviu transitoriamente como Tribunal da Comarca, hospital substituto da Misericórdia e até como oficina tipográfica do jornal Estrela da Beira.

O pátio anexo, vizinho do monumental Chafariz de D. João V (ou das Seis Bicas), era utilizado para a doma de cavalos, o que acabou por dar ao edifício o nome popular de “Picadeiro”.

Após um longo processo de recuperação por parte da autarquia fundanense, o palácio reabriu as portas como espaço cultural e museológico. Atualmente, o monumento funciona como um moderno núcleo visitável, exibindo os tradicionais embutidos característicos da marcenaria de Alpedrinha e recursos interativos sobre a pastorícia e a Serra da Gardunha.

Os interessados em visitar este espaço usufruem de entrada gratuita em todo o recinto museológico. O Centro do Visitante de Alpedrinha (Palácio do Picadeiro) funciona de terça-feira a domingo, das 09h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30, encerrando apenas às segundas-feiras e nos feriados de Natal e Ano Novo. Recomenda-se o contacto prévio através do email palaciopicadeiro@fundaoturismo.pt para o agendamento de visitas de grupos organizados.

Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

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