Uma das imagens que costumo usar para explicar a importância da comunicação no seio da família – e também nas formações que dou a pais e padrinhos antes de um batizado – vem de um desporto olímpico: a estafeta dos 4×100 metros. Cada equipa é formada por quatro atletas que fazem chegar à meta um bastão chamado “testemunho”, passado de mão em mão, com cada atleta a cumprir exatamente 100 metros.
Se pensarmos numa família com filhos, podemos comparar o processo de comunicação e de transmissão de valores a esse testemunho que passa de pais para filhos e assim sucessivamente. E porque falo do testemunho e da família? Porque escrevo estas linhas no domingo em que terminou a Semana da Vida, 17 de maio, cujo tema – “Bem-aventurados os que protegem a vida” – associa a defesa da dignidade humana à construção ativa da paz.
Sabemos que a família está na base da sociedade e que, nos tempos que correm, atravessa diversos desafios. A sua importância é tal que o próprio Deus, quando veio ao mundo, quis nascer no seio de uma família, precisamente para nos mostrar o quanto ela é essencial em tantos aspetos, incluindo na transmissão de valores. Também sabemos que o conceito de família tem vindo a mudar, acompanhando as transformações profundas da sociedade.
Recordo as palavras do padre Francisco Ruivo, assistente do Departamento Nacional da Pastoral Familiar Católica, na apresentação da Semana da Vida: “Neste tempo em que a vida é tão desvalorizada e tão pouco respeitada, diremos que a Semana da Vida surge como um grito a todas as situações que vão acontecendo à nossa volta em todas as fases da vida.” Diz a sabedoria popular que só Deus é perfeito; portanto, não há famílias perfeitas. Mas isso não significa que não seja possível melhorar as relações entre os seus membros.
É importante recordar que a família é uma comunidade, e comunidade significa pôr em comum aquilo que cada membro tem de melhor. Daí a importância da passagem do testemunho, que, no contexto familiar, representa um conjunto de valores e atitudes que promovem, defendem, valorizam e dignificam a vida de cada pessoa. O exemplo, como bem sabemos, deve partir de cima — dos pais e de todos os educadores. Neste mundo em que a tecnologia avança a um ritmo tão rápido e, por vezes, quase inacreditável – como acontece com a Inteligência Artificial – devemos estar atentos para não permitir que a inteligência natural passe para segundo plano. Afinal, o amor só é possível de forma natural ou real, não virtual.








