A discriminação racial “viola a dignidade concedida por Deus a cada pessoa humana e causa um mal profundo a indivíduos, famílias e comunidades, alimentando o medo, minando a confiança e aumentando o risco de mais desfechos injustos e até mesmo trágicos”, escrevem os bispos americanos numa nota pastoral de 20 de julho a propósito de mais dois imigrantes mostos a tiro por agentes da polícia especial de imigração (ICE, no acrónimo em língua inglesa).
A declaração da Conferência Episcopal dos Estados Unidos segue-se aos homicídios ocorridos no Texas e no Maine durante operações da ICE, ações que os bispos acusam de “ignorar a dignidade das pessoas” e que, por isso, “não se podem tornar algo normal”.
A nota é assinada pelos bispos Daniel Elias Garcia, presidente da Subcomissão para a Promoção da Justiça Racial e da Reconciliação, e Brendan John Cahill, presidente da Comissão para a Migração, ambas comissões da Conferência Episcopal dos Estados Unidos. O texto refere “alguns confrontos recentes com as forças de segurança no âmbito da imigração que causaram a perda de vidas humanas”. Na realidade – escreve o Vatican News de 21 de julho -, “trata-se dos enésimos homicídios causados por intervenções imprudentes do Serviço de Imigração e Alfândega, a agência federal de combate à imigração e à criminalidade que atua no âmbito do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.”
No dia 7 de julho, em Houston, no Texas, enquanto acompanhava de carro uma equipa de trabalhadores a caminho de um canteiro de obras, Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, de origem mexicana, foi morto a tiro por não ter parado durante uma operação policial. O mesmo destino teve Joan Sebastián Durán Guerrero, de 25 anos, de origem colombiana, que foi morto em Biddeford, no Maine, no dia 13 de julho, nas mesmas circunstâncias (também ia a guiar um carro).
Com mais estas duas mortes, sobe para a dezena o número de imigrantes mortos a tiro durante as rusgas e outras operações especiais levadas a cabo pela ICE.
Mas a estas mortes há que somar as ocorridas nos campos de detenção daquela polícia. De acordo com o relatório de 73 páginas publicado pela organização Human Rights Watch, desde o início do segundo mandato de Donald Trump “pelo menos 52 pessoas morreram estando sob custódia do ICE”, devido “às más condições de detenção” e à “falta de cuidados médicos adequados” nos campos de detenção daquela polícia especial.
Já depois da publicação deste relatório, a ICE teve de reconhecer em comunicado que mais um detido tinha morrido. Trata-se de Jesús Manuel Arias-Silva, um migrante venezuelano de 45 anos detido desde o dia 9 de julho e que morreu no dia 13 de julho, quando, segundo a ICE, “era trasladado de um campo de detenção para outro, ambos na Geórgia”.
“Rezamos pelo fim da retórica desumanizante, do preconceito racial e da violência, e por um compromisso renovado em reconhecer a dignidade intrínseca de cada pessoa como filho de Deus”, lê-se no final da nota pastoral divulgada pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos.
Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.








