As equipas da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) que estão ao serviço na República Centro-Africana (RCA) recorrem a motas e canoas e enfrentam trilhos estreitos, rios e florestas densas, para chegar a aldeias isoladas. O objetivo é vacinar crianças contra doenças facilmente controláveis através da imunização, como o sarampo, poliomielite, difteria, tétano e malária.
Em comunicado, a MSF explica que os esforços de vacinação “decorrem num contexto nacional particularmente tenso”, onde o acesso a cuidados de saúde preventivos é limitado para “muitas comunidades”, por causa da “insegurança crónica, fracas infraestruturas de saúde, escassez de profissionais médicos qualificados e isolamento geográfico”.
A organização afirma que este cenário se “agravou após a suspensão do financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional”, a USAID, decretada pelo presidente Trump, no início deste ano. Tal aconteceu ao mesmo tempo em que “vários doadores internacionais reduziram os compromissos para com a RCA, o que afetou diretamente a capacidade do sistema de responder às necessidades básicas da população”.
Em Batangafo (cerca de 400 quilómetros a norte de Bangui, a capital), a MSF realiza “regularmente atividades de vacinação” para “proteger as crianças que vivem nas zonas mais remotas, frequentemente excluídas das campanhas nacionais”. Neste ponto do país, as campanhas promovidas pela organização humanitária “são vitais não apenas para proteger as crianças, mas também para limitar surtos de sarampo, poliomielite e difteria, que estão a reaparecer de forma preocupante”.
Redução da mortalidade
Segundo a Médicos Sem Fronteiras, as taxas de cobertura vacinal na República Centro-Africana “estão entre as mais baixas da África Central”. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que no ano passado “apenas 16 por cento das crianças tinham o esquema de vacinação completo, enquanto 34 por cento nunca tinham recebido qualquer vacina”. O trabalho da MSF – desenvolvido em colaboração com o Ministério da Saúde do país – permitiu vacinar 242.500 crianças em 2024, o que “contribuiu significativamente para prevenir doenças infantis e reduzir a mortalidade infantil” na RCA.








