A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, viu crescer o número de assassinatos, decapitações e sequestros em 2020, um cenário de insegurança que já obrigou centenas de milhares de pessoas a fugirem das suas casas e que ameaça alastrar às províncias vizinhas de Niassa e Nampula.

Segundo dados das Nações Unidas, até ao final do ano passado, as três províncias tinham cerca de 670 mil deslocados internos, sendo que a esmagadora maioria abandonou as suas comunidades de origem devido a centenas de ataques violentos. Entre deslocados e habitantes, estima-se que 950 mil pessoas enfrentem fome severa.

A insegurança contribuiu também para o aumento do custo dos produtos básicos, especialmente nas áreas mais afetadas pelo conflito. E apesar das comunidades anfitriãs abrigarem 90 por cento dos que fugiram dos confrontos, a situação coloca “enorme pressão” sobre os já escassos recursos nessas áreas.

Além do apoio alimentar, as equipas humanitárias tentam travar também a propagação de doenças transmitidas pela água, já que os deslocados sofrem com um novo surto de cólera que já matou pelo menos 55 pessoas, num universo de 4,9 mil casos detetados. Uma luta que se revela ainda mais difícil tendo em conta que 36 por cento das unidades de saúde em Cabo Delgado foram destruídas.

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