Os oceanos, enquanto “pulmões do planeta” pela sua capacidade de absorção de carbono, desempenham um papel fundamental na estabilização do clima a nível global. Mas para que se retire o melhor partido das suas potencialidades, é necessário investir mais em inovação, com vista a uma maior sustentabilidade, alerta o secretário-geral das Nações Unidas.

Numa mensagem a propósito do Dia Mundial dos Oceanos, que se assinala esta segunda-feira, 8 de junho, António Guterres pede aos governos que se comprometam com a conservação e sustentabilidade dos mares através da inovação e da ciência e realça que o atual período oferece “uma oportunidade única de corrigir a relação humana com o meio ambiente”.

Este ano estava prevista a realização da segunda Conferência da ONU sobre Oceanos, em Lisboa, mas teve que ser adiada devido à pandemia. O adiamento, porém, não travou a vontade global de resolver os problemas deste setor, de acordo com o embaixador de Portugal nas Nações Unidas.

“O nosso compromisso mantém-se. Vamos realizá-la em Lisboa, logo que seja possível, porque a conferência foi adiada, mas os problemas que afetam os oceanos continuam. Seja a significação que destrói os corais, seja o aumento da temperatura das águas dos oceanos, a pesca ilegal, a sobre exploração dos recursos pesqueiros, ou a poluição por plásticos, por poluentes ou a que advém do próprio transporte marítimo. O nosso esforço para melhorar a saúde dos oceanos mantém-se, e mantém-se toda a urgência”, declarou Francisco Duarte Lopes à ONU News.

Aproveitando a efeméride de hoje, a associação ambientalista Quercus emitiu também um comunicado a alertar para o agravamento da poluição marinha com a pandemia, em particular o descarte de objetos de proteção individual, nomeadamente máscaras e luvas. “Se por um lado a pandemia de Covid-19 demonstrou ao mundo que quando algumas atividades humanas param, a saúde do nosso planeta melhora, o mesmo não podemos dizer sobre os nossos oceanos”, refere o documento.

Segundo os ambientalistas, a “falta de civismo e educação agravou de forma visível a poluição marinha, com o descarte de objetos de proteção individual nas ruas que acabam por ter como destino final o fundo dos mares e oceanos”.

Em mensagem divulgada no portal da Presidência da República Portuguesa, o Chefe de Estado pediu a todos os cidadãos que contribuam para a defesa e conservação dos oceanos, com urgência, que considerou ser um desígnio de Portugal. “A atual situação de combate à Covid-19 não pode, de modo algum, afastar-nos do nosso compromisso com os nossos mares, património comum da humanidade. É um imperativo de cidadania global. Mas é também um imperativo de cidadania nacional”, escreveu Marcelo Rebelo de Sousa.

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