Álvaro Pacheco | Diretor da Fátima Missionária

A violência acompanha a humanidade desde o início dos tempos. Surge sempre de uma escolha, decisão ou atitude exercida sobre outros, com consequências dolorosas e, por vezes, fatais. Um caso recente ilustra esta realidade de forma brutal: Guido Roviello, um homem em condição de sem-abrigo, foi espancado no passado dia 19 de agosto, na comuna italiana de Caserta. A vítima de 62 anos morreu dois dias depois, devido à gravidade dos ferimentos.
O agressor foi um homem romeno de 40 anos, também em situação de sem-abrigo, segundo a agência Ansa.
O agressor, que ficou em prisão preventiva por homicídio qualificado, confessou o crime, alegadamente motivado por uma dívida antiga de 50 euros.

A tragédia tornou-se ainda mais perturbadora porque ninguém interveio para impedir o ataque. Pelo contrário, várias pessoas filmaram a agressão, e os vídeos circularam nas redes sociais. O bispo de Caserta, Pietro Lagnese, condenou quem assistiu à agressão e nada fez para ajudar a vítima: “Perante uma morte tão violenta e sem sentido, o que mais abala a consciência é a indiferença daqueles que viram consumar-se um homicídio tão hediondo, sem intervir”.

Considero que é profundamente preocupante o crescimento de atos violentos que são registados e divulgados por quem parece preocupar-se apenas com o número de visualizações. Esta atitude revela desrespeito pela vida e contribui para a banalização da violência, transformada num espetáculo digital. Perguntava-me um amigo, há tempos: “Onde estão os que formaram e alimentaram a consciência de pessoas capazes de tais atrocidades? Estamos a construir uma sociedade onde crescem atos que ameaçam a paz e a harmonia?”

Guido levava uma vida comum. Trabalhou como empregado de mesa, mas ficou desempregado e perdeu a casa. Segundo os voluntários que o acompanhavam era um bom, sensível e calmo. Em 2019, já tinha sido alvo de uma agressão grave, da qual recuperou com o apoio de uma rede de solidariedade católica. Frequentava a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, em Caserta, onde fazia as refeições, e a Comunidade de Santo Egídio, onde tomava banho e convivia com outras pessoas. O bispo local afirmou que tencionava dar-lhe “um enterro digno, como sinal de respeito pela dignidade inviolável de cada pessoa” o que aconteceu, segundo a associação Sant’Egidio Caserta, no passado dia 25 de agosto, na Catedral de Caserta.

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