As “ditaduras desgastadas que se apropriam do nome de Jesus para legitimar o seu autoritarismo” evitam “falar da cruz” e “silenciam o Crucificado, pois “um Messias que se humilha, que serve e que dá a vida pelos outros desmascara a arrogância deles e condena suas aspirações de permanecer no poder para sempre”, afirmou Silvio Báez, bispo auxiliar exilado de Manágua, na Nicarágua, dias depois do jornal oficial El 19 Digital ter proclamado que “o país é governado de maneira cristã”.
“Não se pode professar Jesus como Messias e Filho de Deus sem o seguir pelo caminho da cruz. Sempre que tentamos colocar-nos à frente de Jesus, em vez de o seguir, deixamos de ser seus discípulos e perdemos o rumo” – continuou o prelado, citado pelo Catholic World Report para concluir que estas ditaduras que se dizem cristãs para “hipocritamente se esconderem atrás da religião” e justificarem “o domínio que exercem sobre o povo” “profanam o nome de Jesus” e “nunca falam da cruz”.
Báez fez estas afirmações na homília da eucaristia de domingo dia 30 de agosto celebrada na Paróquia de Santa Ágata, em Miami. O bispo foi forçado a abandonar o seu país em abril de 2019 depois de intervir publicamente em defesa dos manifestantes que se opunham ao regime do presidente Daniel Ortega e da sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo. A violenta repressão ordenada pelo casal Ortega uma repressão fez, segundo o Tribunal Interamericano de Direitos Humanos mais de 350 mortos ao longo do ano de 2018.
Desde aquele ano, a ditadura nicaraguense persegue implacavelmente a Igreja Católica no país, controlando padres, expulsando religiosas, confiscando fundos e propriedades da Igreja, obrigando ao fecho de igrejas e colégios e proibindo ordenações e exilando bispos — como Carlos Gutiérrez, presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, que foi expulso em 2025.
Texto redigido por Clara Raimundo/jornal 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.








