A Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) aprovou no último fim de semana, em Fátima, um documento que visa transformar os ambientes digitais em espaços de verdadeira partilha humana. Intitulado “Corações Conectados – Manifesto para uma Rede Humana nas Escolas”, o texto resulta do trabalho conjunto de uma assembleia de alunos que envolveu também encarregados de educação, docentes e diretores das escolas, focando-se no impacto das redes sociais nas relações pessoais.
O manifesto assume como compromisso central o desenvolvimento de uma cultura do encontro no ecossistema digital, rejeitando a ideia de que a rede deva ser moldada apenas por algoritmos. Para concretizar esta visão, as escolas católicas propõem dar “prioridade ao rosto sobre o ecrã”, o que implica praticar a “escuta ativa” e a “presença plena”, e guardar o telemóvel nos momentos de convívio, defendendo ainda o “direito ao silêncio e à desconexão”.
Adicionalmente, as plataformas digitais passam a ser encaradas como “ferramentas para potenciar redes de voluntariado” e apoiar os alunos mais frágeis através de dinâmicas de proximidade, como o apadrinhamento.
O combate à desinformação e a “busca pela verdade” é outra das grandes metas traçadas no documento: as instituições de ensino católicas comprometem-se a incentivar o pensamento crítico, ensinando os estudantes a filtrar conteúdos e a verificar rigorosamente as fontes antes de qualquer partilha.
O manifesto apela ainda à renúncia clara “ao discurso de ódio, ao cyberbullying e ao julgamento fácil no ambiente online. “Escolheremos sempre a empatia e o perdão, seguindo o exemplo de misericórdia de Jesus Cristo, lembrando que por trás de cada perfil existe uma pessoa com a sua dignidade, criada à imagem de Deus”, lê-se no documento.
Por fim, o texto expressa que as redes digitais escolares deverão servir para edificar e partilhar talentos, integrando os alunos em projetos de comunicação criativos como podcasts, plataformas de vídeo ou rádios “que inspirem os jovens, garantindo que os talentos de todos, especialmente dos mais tímidos, são valorizados de forma igual”.
A decisão de alargar o debate e partilhar práticas
Em declarações ao 7Margens, o diretor da APEC, diácono Fernando Magalhães, explicou que a decisão de alargar aquele que é o debate habitual do Conselho Consultivo a uma grande assembleia estudantil surgiu devido à importância crescente do digital, com todas as suas controvérsias e benefícios.
“Entendemos promover o debate sobre o tema pelas controvérsias geradas, pelos graves inconvenientes do seu mau uso e pelos benefícios extraordinários que dele resultam”, afirmou o responsável.
Segundo Fernando Magalhães, o manifesto espelha práticas que já têm eco em várias escolas católicas, nomeadamente a formação contínua das famílias e a integração das ferramentas digitais no sucesso da aprendizagem.
Questionado sobre a polémica em torno da proibição ou restrição de telemóveis nos recintos escolares, o presidente da associação clarificou que a “APEC não tem uma posição institucional assumida sobre o assunto”.
O responsável garantiu, no entanto, o total respeito da associação pelas orientações tuteladas pelo Ministério da Educação e lembrou que muitas das escolas católicas já tinham avançado com regulamentos próprios e restrições “em calendário anterior à definição emanada pelo Governo”.
Texto redigido por Clara Raimundo/jornal 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.








