É grande a expectativa em torno da primeira encíclica do Papa Leão XIV, que poderá ser conhecida já na próxima semana, quando se evocam os 135 anos da Rerum Novarum, de Leão XIII. É dado como certo que será um documento de forte cunho social e que se intitulará Magnifica Humanitas (Humanidade Magnífica).
Em rigor, é muito pouco o que se sabe dessa encíclica: começou a falar-se da intenção de Leão XIV no verão de 2025. Mais tarde, o cardeal Victor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, indicou que a encíclica abordaria a inteligência artificial — um tema caro ao Papa — e “a situação geral da sociedade”. Mais recentemente, começou a falar-se do título desse documento. E as certezas são tais que há já editoras e livrarias digitais que estão a aceitar compras do volume, incluindo mesmo o preço.
O título da encíclica define, na opinião de vários comentadores, todo um programa das prioridades deste pontificado, a dias de completar um ano de existência. Magnifica Humanitas, antevê o site católico Aleteia, “coloca a dignidade humana no centro, insistindo que a humanidade permanece ‘magnífica’ mesmo quando ameaçada pela aceleração tecnológica, pela exclusão económica ou pela fragmentação cultural”.
Tem havido quem recorde a novidade que foi, em 1891, a publicação da Rerum Novarum (das coisas novas), em torno dos impactos da revolução industrial, como a proletarização e exploração da mão de obra, os conflitos sociais, a concentração da riqueza ou o agravamento das desigualdades. Hoje, como gostava de sublinhar o Papa Francisco, mais do que uma “época de mudança”, vivemos uma “mudança de época” ou de “civilização”, com problemas de novo propulsionados pelas tecnologias, mas numa escala global, afetando todos os setores da vida.
Desde que há um ano o cardeal Prevost iniciou as funções de líder máximo da Igreja Católica, tem manifestado, de forma reiterada, preocupação com os impactos da inteligência artificial, ainda que reconhecendo o seu “extraordinário potencial”. Tem alertado também para a exclusão, enquanto “nova face da injustiça social” e para o paradoxo decorrente da existência de tecnologias altamente sofisticadas e milhões que continuam a não ter acesso à terra, teto e trabalho.
Resta aguardar. Fala-se no dia 15 de maio e isso tem uma justificação: foi messe dia de maio de 1891 que veio a público a Rerum Novarum e vários outros documentos papais de natureza social tiveram esse dia e ano como referência. No meio das crescentes desigualdades do mundo, das crispações e fechamentos, da opacidade dos novos poderes e dos genocídios e desafios da construção da paz, aguarda-se que Leão XIV lance pistas para a ação pessoal e coletiva, no sentido da justiça e da paz, da fraternidade e da dignidade humana.
Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.








