Na Guiné Equatorial – o último, mas não menos importante, país a ser visitado pelo Papa no seu périplo por África – o programa incluiu quarta-feira, 22 de abril, uma visita à prisão de Bata. Ali, Leão XIV lançou um apelo vigoroso à humanização do sistema penitenciário e à defesa da dignidade humana.
Perante centenas de reclusos e autoridades governamentais – e sob uma forte chuva que não fez ninguém arredar pé – o Papa defendeu que a verdadeira justiça deve focar-se na reconciliação e na reintegração social, rejeitando modelos baseados apenas no castigo: um gesto forte naquele que é um país frequentemente visado por denúncias internacionais de abusos no sistema penal.
Durante o encontro no pátio interior do estabelecimento prisional, Leão XIV sublinhou que ninguém deve ser excluído do amor de Deus, afirmando que a vida de uma pessoa não pode ser definida pelos seus erros passados. “A verdadeira justiça procura não tanto punir, mas sobretudo ajudar a reconstruir a vida quer das vítimas, quer dos culpados”, declarou o Papa, instando as instituições a garantirem o acesso ao estudo e ao trabalho digno como ferramentas de transformação.
A visita foi marcada por momentos de forte emoção, incluindo dois cânticos entoados e coreografados pelos detidos pedindo-lhe que rezasse pelos seus pecados e pela sua liberdade, e o testemunho de um recluso que, em nome dos restantes, agradeceu ao Papa por ir “onde muitos pensavam que ninguém iria”, e lhe ofereceu uma cruz de madeira feita na prisão.
O foco na dignidade dos mais frágeis atravessou toda a etapa da viagem pela Guiné Equatorial. Na terça-feira, em Malabo, o Papa visitou o Hospital Psiquiátrico Jean Pierre Olié, onde descreveu os cuidados prestados aos doentes como “um poema que só Deus sabe ler”.
E na missa celebrada em Mongomo perante milhares de fiéis e o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Leão XIV exigiu a criação de “espaços de liberdade” e o fim das desigualdades sociais, criticando as condições higiénicas e sanitárias preocupantes em que vivem muitos detidos no país.
A agenda do Papa incluiu ainda uma forte componente educativa e de memória histórica. Também em Mongomo, já nesta quarta-feira, inaugurou a Escola Tecnológica Papa Francisco, um projeto que honra o legado do seu antecessor e o compromisso com a formação da juventude.
Em Bata, além da passagem pela prisão, o Papa homenageou as vítimas das explosões de 7 de março de 2021 no quartel de Nkoantoma, que causaram mais de uma centena de mortos.
A visita apostólica, que incluiu passagens pela Argélia, Camarões e Angola, termina esta quinta-feira com uma missa solene no Estádio de Malabo, antes do regresso oficial ao Vaticano.
Texto redigido por Clara Raimundo/jornal 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.








