Papa junto de jovens em Assis, Itália, no passado mês de setembro, no evento “A economia de Francesco”. Santo Padre tem pedido repetidamente aos jovens para que não se deixem derrubar pelas adversidades da vida | Foto: LUSA

Na atual conjuntura social e económica deparamo-nos com a falta de coragem de arriscar. Hoje os jovens podem usar as tecnologias de uma forma envolvente para interagir uns com outros através de encontros virtuais, partilhar pontos de vista em relação aos problemas que encontram nas suas vidas, serem mais solidários uns com os outros, cultivarem o amor ao próximo, dar mais de si aos outros através do voluntariado e estarem mais presentes na vida dos mais necessitados.

A vida em Cristo pode levar a clareza necessária aos jovens impulsionadores do futuro através do contacto, da partilha, da união e, principalmente, do conhecimento que podem partilhar e adquirir entre eles. Devem estar abertos a percorrer um caminho de fé, caridade e esperança. Assim poderão fazer a diferença. O catequista ou animador de um grupo de jovens cristãos torna-se num ‘atalho’ que pode ajudar a criar ‘caminhos’ dos quais fazem parte a reflexão, a oração e o amor ao próximo. A este propósito, recordo a Filipa, uma adolescente de 14 anos, que dizia que não entendia o porquê de frequentar a catequese e não via a utilidade que aquelas sessões podiam ter na sua vida. Afirmava que não esperava nada da catequese. Então sugeri-lhe – “Diz-me o que precisas para seres alguém mais feliz e poderes perceber realmente aquilo que podes encontrar na catequese”.

A menina ficou com um olhar triste e preocupado, pois não tinha coragem de o dizer. Fiquei intrigado, mas certo que a podia ajudar a encontrar a alegria, o convívio, a partilha e o amor ao próximo. Fiz-lhe uma proposta – “A partir de hoje, podes sugerir um tema que te preocupe, que queiras ver esclarecido”. A Filipa, de olhos tristes e com algumas lágrimas, disse: “Só queria que as pessoas gostassem de mim, pois não tenho amigos próximos”. Nesse momento, todo o grupo a abraçou com ternura, fazendo-a sentir que não estava sozinha como pensava. Daí em diante, a Filipa transformou-se, estava sempre disponível para partilhar ideias novas com o grupo e apelava aos colegas para criarem ações de ajuda ao próximo através de algumas formas de solidariedade.

O Papa Francisco repete em várias ocasiões que o futuro está na mão destes mesmos jovens, que não se deixam abater pelas adversidades que lhes são impostas no mundo em que vivem. Enquanto catequista e animador de jovens entre os 14 e os 16 anos, deparo-me todos os dias com novas formas de os poder ajudar a encontrar ‘ferramentas’ para chegarem ao ‘caminho’ mais adequado de uma vida feliz em Cristo.

Texto: Miguel Almeida, Catequista e animador de jovens