Foto: Alexandre Fukugava

O enorme impacto financeiro da pandemia de Covid-19, com um custo de vários biliões de euros, e quase um milhão de mortes até agora, revela que o mundo não estava preparado para uma emergência sanitária deste calibre e realça a urgência de investir na prevenção de crises sanitárias mundiais, conclui o mais recente estudo da Junta de Monitorização da Preparação Mundial.

Intitulado “Um mundo desorganizado”, o documento contém duras críticas à resposta mundial à Covid-19, que qualifica como um “fracasso coletivo por não ter levado a sério a prevenção, a preparação e a resposta perante uma pandemia e não lhe ter dado a prioridade correspondente”. Apesar dos esforços de alguns líderes em aplicar medidas precoces baseadas na ciência, nas investigações e boas práticas, a falta de prestação de contas por parte dos dirigentes deu lugar a um cada vez mais profundo défice de confiança que criou obstáculos aos esforços de resposta.

De acordo com os investigadores deste órgão independente, um dos aspetos que permitiram a expansão da pandemia num mundo extremamente bem ligado pela economia, o comércio, a informação e as viagens, “foi a falta de cooperação multilateral”, agravada pelas tensões geopolíticas. Em consequência, continuam a subestimar-se as repercussões sociais e económicas das pandemias, em especial para as pessoas vulneráveis e desfavorecidas.

“Prevê-se que as consequências socioeconómicas a longo prazo da Covid-19 durarão décadas, e no cenário conservador do Banco Mundial estima-se uma perda de rendimentos de 10 biliões de dólares para as gerações mais jovens em resultado dos défices educativos relacionados com a pandemia”, refere o estudo.

Para acabar com a pandemia de Covid-19 e evitar a próxima epidemia, a Junta de Monitorização da Preparação Mundial propõe, entre outras medidas, o exercício de uma liderança responsável, de uma cidadania comprometida, a criação de sistemas sólidos e ágeis que garantam a segurança sanitária, o investimento constante e uma governança mundial sólida em matéria de preparação.

A Junta de Monitorização foi criada em 2017, em resposta às recomendações da Força-Tarefa sobre as Crises Sanitárias Mundiais do secretário-geral das Nações Unidas. O organismo foi concebido conjuntamente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Grupo Banco Mundial e iniciou funções em maio de 2018.

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