Sismos agravaram a situação de pobreza em que muitas pessoas já viviam | Foto: DR

Os efeitos de dois fortes sismos que abalaram a Venezuela a 24 de junho levaram os Missionários da Consolata em Portugal a lançar uma campanha de angariação de fundos, no âmbito da qual já enviaram 20 mil euros para aquele país, onde a congregação está presente há 55 anos.

Padre Horácio Jackson é um Missionário da Consolata em missão na Venezuela | Foto: DR

O padre Horácio Jackson é um Missionário da Consolata moçambicano que está há três anos ao serviço na Missão de Caucagua, em Barlovento, no município de Acevedo. Segundo o religioso, cerca de um mês depois da tragédia, a população “ainda se encontra necessitada e o trauma manifesta-se em todas faixas etárias”. Há pessoas a viver em “extrema pobreza, sem casa nem alimentação, deslocando-se de um lugar para outro para tentar recomeçar as suas vidas e psicologicamente abatidas”, disse o missionário, em resposta às perguntas enviadas por email pela FÁTIMA MISSIONÁRIA.
Em alguns locais onde os missionários estão ao serviço, “os terramotos coincidiram com enchentes”, agravando ainda mais a situação. O acesso à água continua a ser um problema, sendo “sempre necessário comprar água potável, especialmente nas comunidades afetadas pelos terramotos e pelas cheias, em simultâneo”. A eletricidade ainda não regressou a todas as regiões, e onde já existe, há “cortes frequentes”.

Os centros de saúde, por sua vez, funcionam de forma precária: “quase não há medicamentos” e aos utentes é-lhes pedido que comprem o que necessitem nas farmácias, que são escassas e apresentam “longas filas para adquirir um paracetamol, por exemplo”. Já os supermercados estão abertos, mas com “horário limitado e com elevado custo dos produtos”. As escolas “anteciparam as férias” e a presença de pessoas nas celebrações religiosas “aumentou”, com “muitas a pedir alguma ajuda no final”.

O missionário acredita que os sismos vieram “agravar a situação de pobreza” já existente. “Antes dos terramotos, este lugar de missão já carecia de muitas coisas, como água, habitações dignas, comunicação, materiais escolares e uniformes para as crianças.” Com os sismos, os problemas “triplicaram”. A congregação tem procurado oferecer a “ajuda necessária” às vítimas dos terramotos, incluindo “alojamento e produtos de primeira necessidade”. O padre Horácio sublinha que as “palavras de esperança são um bálsamo indispensável” neste cenário.

Atualmente, 14 Missionários da Consolata estão distribuídos por vários pontos da Venezuela. Em Caracas, capital do país, atuam nas periferias urbanas; em Barquisimento, mantêm um centro de animação missionária; em Barlovento, dedicam-se à pastoral afro; e em Tucupita, à pastoral indígena. Trabalham diariamente com pessoas pobres, vulneráveis e em situação de extrema pobreza, fornecendo alimentos, medicamentos e promovendo cursos de desenvolvimento humano, como a “Escola de Perdão e Reconciliação”.

Os 20 mil euros enviados de Portugal são “a primeira ajuda concreta” a chegar junto dos missionários. O religioso agradece a doação e adianta que a “situação levará muito tempo para se restabelecer”. Um dos objetivos atuais é adquirir um “veículo em boas condições para que, neste momento delicado, seja possível visitar as comunidades com mais frequência”. O padre Horácio destaca a importância da solidariedade. “Qualquer ajuda é necessária e importante. Este é o momento em que, como Consolata, e como Igreja, temos de fazer alguma coisa.”

Os sismos provocaram mais de 6.300 mortos e deixaram feridas mais de 16.700 pessoas, de acordo com as autoridades venezuelanas. Entre os mortos estão 138 portugueses e lusodescendentes, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos da América. Mais detalhes sobre a campanha, designada “A Venezuela precisa de nós”, podem ser consultados em consolata.pt/a-venezuela-precisa-de-nos/.

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