O falecido Papa Francisco escreveu que o crime da violência doméstica é como “uma erva daninha venenosa que aflige a nossa sociedade e que deve ser eliminada pela raiz”. Esta situação tem a sua raiz no preconceito, na posse e na injustiça, onde as mulheres são colocadas em segundo plano, consideradas inferiores, tratadas como objetos e reduzidas a coisas – apenas uma propriedade que pode ser descartada em tudo e até mesmo suprimida.
É a isto que as mulheres e as jovens estão sujeitas, por parte dos homens que se consideram superiores e com o direito de “eliminar” as mulheres na sua dignidade, no seu direito a ser. Nós temos a obrigação de denunciar, de não aceitar, de nos indignarmos com estes atos hediondos e de violação grosseira dos Direitos Humanos Fundamentais. Deus é amor, Deus não é sofrimento; por isso, o ditado “é a tua cruz” não pode continuar a ser dito nem defendido. Temos todos a obrigação de agir e de educar. Educar para os Direitos Humanos, educar para o respeito, educar para que cada um/a possa ser. E esta educação tem de ser feita em todos os foros, não apenas em alguns. Temos de educar para colocar a pessoa no centro da abordagem, com toda a sua dignidade.
Francisco disse ainda: “A maneira como tratamos uma mulher revela o nosso grau de humanidade”. Eu acrescentaria: a maneira como respeitamos o outro a ser revela, efetivamente, a nossa humanidade e a nossa cristandade. Não sejamos cúmplices, não fiquemos indiferentes; ajamos com determinação, urgência e coragem, sem amarras e sem desculpas para não agir.
A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) é um organismo que tem como missão garantir a execução das políticas públicas no âmbito da cidadania e da promoção e defesa da igualdade de género, bem como contribuir para a integração da dimensão de género em todas as políticas governamentais com vista a alcançar uma efetiva igualdade entre homens e mulheres. A CIG disponibiliza o Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica, que pode ser contactado através do número 800 202 148 ou do envio de uma mensagem para o número 3060. Está ainda disponível o email violencia@cig.gov.pt.








