Aristides de Sousa Mendes e um dos vistos concedidos a refugiados judeus em 1940. Foto: Direitos reservados

A Fundação Aristides de Sousa Mendes e a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Cidade assinalam esta quarta-feira, 17 de junho, em Lisboa, o Dia da Consciência, evocando o gesto do diplomata português que, em 1940, decidiu conceder vistos a milhares de refugiados, contrariando as ordens do regime de Salazar.

A celebração decorrerá no Hospital da Ordem Terceira, local onde Aristides de Sousa Mendes passou os últimos dias de vida e morreu, a 3 de abril de 1954. O programa inclui uma eucaristia na capela do hospital, às 12h00, seguida da evocação do antigo cônsul de Portugal em Bordéus e do descerramento de uma placa comemorativa.

Foi precisamente a 17 de junho, mas em 1940, que Aristides de Sousa Mendes decidiu contrariar as instruções do regime português e conceder vistos aos milhares de refugiados que procuravam escapar à perseguição nazi. A Fundação Aristides de Sousa Mendes considera esse gesto um “Ato de Consciência”, expressão que passou a designar a decisão do diplomata de colocar a dignidade humana acima da obediência às ordens recebidas.

Segundo Carlos Sousa Mendes, presidente do Conselho de Administração da Fundação Aristides de Sousa Mendes, a iniciativa conjunta pretende “promover e perpetuar em Lisboa” o encontro entre a memória e a história de um homem “reconhecido mundialmente pelo seu exemplo de coragem moral e defesa da dignidade humana”, associando-o a uma instituição que possui uma longa tradição de assistência aos mais frágeis e de promoção dos valores da fraternidade, solidariedade e serviço ao próximo.

Até porque os valores que orientaram a vida de Aristides de Sousa Mendes “permanecem hoje tão necessários como há 86 anos”. “A coragem, a compaixão e a primazia da consciência” continuam a ser referências fundamentais num contexto internacional marcado por guerras, deslocações forçadas e crescentes desafios aos direitos humanos, sublinhou em declarações ao 7MARGENS.

Por isso, a fundação convida a participar nesta iniciativa “todos os cidadãos e instituições comprometidos com o bem comum, com a justiça e com a paz”. Entre os presentes estarão vários membros da família de Aristides de Sousa Mendes, incluindo netos, bisnetos e trinetos. Alguns dos descendentes participarão ativamente na celebração litúrgica, através da música e de outros momentos simbólicos.

Constituída há 26 anos, a Fundação Aristides de Sousa Mendes tem como missão preservar e divulgar o chamado “Ato de Consciência” do diplomata português, bem como afirmar a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, como um lugar universal de memória e educação. Entre os seus objetivos estão  a promoção dos direitos humanos e a inspiração das novas gerações para colocarem “a consciência e a dignidade humana no centro das suas escolhas e da sua vida”.

A próxima grande iniciativa deste organismo está marcada para 19 de julho, data em que se assinalam simultaneamente o aniversário de Aristides de Sousa Mendes e o segundo aniversário da abertura ao público da Casa do Passal – Museu Aristides de Sousa Mendes, um lugar onde viveu o antigo cônsul e onde se quer manter viva a memória que testemunha como “a consciência, a coragem e a compaixão podem mudar a história”.

Texto redigido por Clara Raimundo/jornal 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

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