Papa Leão XIV celebrou a missa na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, 100 anos depois da morte de Gaudí. Foto © Vatican Media.

O Papa olhou em volta, na Abadia de Montserrat, na diocese de Sant Feliu de Llobregat, e soltou um sincero agradecimento “à Catalunha por ter acolhido tantas pessoas de todos os países e por nos ter ensinado a integrar todos numa única família”. Mais tarde, na paróquia do bairro do Raval, em Barcelona, paredes-meias com uma grande comunidade de migrantes, nomeadamente paquistaneses, Leão XIV exclamou: “Que belo é encontrar uma Igreja aberta que acolhe tantas pessoas.”

É um Papa que tem feito na sua visita a Espanha um discurso de acolhimento do estrangeiro, contra a voz do ódio e a polarização em que o diálogo não tem espaço. Ao segundo dia em Barcelona, Leão XIV manteve uma agenda intensa quarta-feira, 10 de junho, entre a visita a uma prisão, banhos de multidão num estádio e nas ruas, um encontro num bairro com muitos migrantes e a inauguração da mais alta torre da Sagrada Família, o edifício projetado por Gaudí, que morreu neste dia há 100 anos.

Ao presidir à inauguração da Torre de Jesus Cristo na Basílica da Sagrada Família, que se tornou a mais alta do mundo, o Papa pediu que esta seja um sinal de fé e esperança para a sociedade.

“A Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, não para se destacar em classificações mundanas, mas para guiar os passos do povo de Deus que peregrina na terra da Catalunha, com a cruz que ilumina o caminho, como uma lâmpada acesa na espera do regresso do esposo”, notou Leão XIV durante a homilia da missa que celebrou em Barcelona, citado pela agência Ecclesia.

Perante quatro mil participantes no interior da nave, outros tantos fiéis no espaço exterior, e os monarcas de Espanha, Filipe e Letizia, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao lado do presidente da Generalitat da Catalunha, Salvador Illa, o Papa insistiu na mensagem que é a marca de água do seu pontificado desde a primeira hora (e que tanto tem incomodado líderes como o Presidente americano, Donald Trump): “Queridos irmãos, não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria.”

Na basílica desenhada pelo génio de Gaudí, falou da obra que ainda está a ser construída: “Não habitamos, portanto, uma obra inacabada, mas um templo ainda em construção. A sua imperfeição não é um defeito, pois testemunha um desejo; não significa uma falta, mas expressa uma promessa que queremos honrar com coerência.”

Como recorda a Ecclesia, Gaudí idealizou o interior do templo como um enorme bosque, projetando colunas com forma de árvore para suportar todo o peso estrutural sem recurso a contrafortes. Leão XIV falou da Basílica como “sinal de unidade e concórdia para toda a Espanha”, numa homilia em castelhano e catalão. “Lembramos e agradecemos todos os promotores e benfeitores, os artistas e trabalhadores que cooperam na construção de uma obra-prima de arquitetura, que é também uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz.”

Antes, no encontro com os reclusos da prisão de Barcelona, Brians 1, o Papa afirmou que “os erros da vida não determinam a identidade de uma pessoa”, para depois notar que “não existe nenhuma situação que faça com que o Senhor desvie o seu olhar de nós”.

Também no Raval, na paróquia de Santo Agostinho, para o seu encontro com as organizações caritativas e de assistência diocesanas, Robert Presvot notou que as origens de cada um também merece o olhar de Deus, quando soltou a frase já referida da beleza da Igreja de porta aberta para acolher as pessoas.

Esta é uma igreja que o Papa conhece bem, contou a edição digital da revista Vida Nueva. Foi ali que o seu irmão agostiniano Faustin John Mlelwa, da Tanzânia, o levou de carro, para a conhecer a missão agostiniana no país em 2003, quando era superior geral da ordem. “Sinto-me em casa”, comentou. Essa não era a primeira vez que ali ia. “Estive aqui em 1984, a meio de uma viagem de carro de Roma para León. Mas, na altura, estava fechada”, contou, humorado, o Papa. Esta quinta-feira, Leão XIV parte para as Canárias (às 7h30 de Lisboa), e durante a manhã manterá um “encontro as realidades de acolhimento dos migrantes”, no porto de Arguineguín.

Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

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