Palestinianos observam os efeitos da destruição depois de o exército israelita ter bombardeado a Igreja de São Porfírio, na cidade de Gaza, a 20 de outubro de 2023. Foto © Omar El Qattaa/Amnesty International.

Os ataques violentos a cristãos em Israel e em Jerusalém oriental ocupada estão a tornar-se cada vez mais frequentes, tendo quase duplicado nos dois últimos anos, de acordo com organizações israelitas citadas pelo órgão público de rádio alemão Deutsche Welle (DW).

Cristãos daquela região referiram à DW que ações de intimidação e de cuspidelas nomeadamente para quem usa trajes têm-se intensificado e tornado um hábito.

Muitos se lembrarão do vídeo chocante recente de um transeunte que ataca por trás uma religiosa, laçando-a ao chão e voltando uma segunda vez atrás para a pontapear. Ou, num outro plano, de o cardeal patriarca de Jerusalém, Giambattista Pizzaballa, ter sido impedido pelas autoridades israelitas de celebrar a festa do Domingo de Ramos, em março deste ano.

Centro Rossing para Educação e Diálogo é uma relevante organização inter-religiosa e intercultural sediada em Jerusalém Ocidental, que visa promover “uma sociedade inclusiva e melhores relações entre judeus, cristãos e muçulmanos por meio da educação, programas de encontros, pesquisa e defesa dos interesses”. Afirma envolver ou ter envolvido mais de 7000 pessoas presencialmente e mais de 65.000 online nos seus sete programas e 60 instituições educativas.

Os registos do Centro Rossing permitem falar de um aumento significativo dos casos violentos. Assim, encontram-se listados e descritos 155 ataques violentos em 2025, contra 84 em 2023 e 111 em 2024.

De acordo com uma coordenadora de projeto da organização, a grande maioria das investigações sobre estes ataques violentos não chegam a qualquer conclusão e muito menos conduzem a que os seus autores prestem contas e sejam julgados.

Papa: ajuda humanitária “ainda não chega a Gaza”

Entretanto, o Papa Leão XIV voltou a chamar na última quinta-feira, 28 de maio, a atenção para a população martirizada de Gaza, a qual, disse, “infelizmente ainda não está a receber ajuda humanitária”.

Em declarações aos jornalistas em Castel Gandolfo, onde se recolheu cerca de 24 horas, o Papa reconheceu que a situação naquele território palestiniano está a provocar “protestos, dificuldades e até mesmo a ação daqueles que participaram na Flotilha”.

Por isso, o Pontífice dirigiu-se a todas as autoridades pedindo-lhes que assistam e acompanhem “o povo de Gaza”, que “está a sofrer” e, também, que ajudem “já a começar a reconstruir”.

Respondendo a perguntas dos jornalistas sobre os ativistas da Global Sumud Flotilha detidos pelo exército israelita ao tentarem levar ajuda a Gaza — os quais relataram e mostraram terem sido espancados e maltratados —, o Papa observou que se está se a “provocar cada vez mais ódio” e que “a violência não ajuda”. É preciso “retornar às negociações”, “buscar, por meio do diálogo, a resolução dos problemas, sempre respeitando os direitos humanos de todos”, notou.

Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

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