Um camião que circulava a alta velocidade abalroou uma procissão com mais de duas centenas de fiéis na cidade de Gujranwala, nordeste do Paquistão, a cerca de 70 quilómetros de Lahore. Cerca de 60 pessoas ficaram feridas, algumas delas em estado crítico, noticiou a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). O motorista foi preso e as autoridades estão a investigar o caso.
Mais de duas centenas de fiéis percorriam as ruas de Gujranwala, no estado do Panjabe, na madrugada de Domingo de Páscoa, 5 de abril, enquanto entoavam cânticos e seguravam velas, quando um camião, a alta velocidade, abalroou a procissão.
O padre franciscano Shahrukh Nathanial, que liderava a procissão, classificou o incidente como uma “tragédia e uma grande tristeza”. Em declarações à Radio Veritas Asia, uma emissora católica, o padre recorda: “O camião, a alta velocidade, atingiu a procissão enquanto marchávamos em direção à igreja” de São Francisco de Assis, em Klasske. Acrescenta: “Ficámos todos chocados, pois era uma grande procissão com mais de 200 pessoas, segurando velas e cantando hinos de Aleluia. É impossível que ele não tenha visto as pessoas, que não as tenha ouvido cantar, que não tenha visto os fogos de artifício ou que não tenha ouvido o barulho ensurdecedor dos fogos.”
Segundo Shahrukh Nathanial, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, desta vez as forças de segurança não acompanharam a procissão. “Este incidente abalou profundamente a comunidade cristã que celebrava a ressurreição do Senhor, deixando-a em profunda dor e medo. Estamos a rezar pela rápida recuperação das pessoas feridas durante o incidente”, acrescentou o padre Shahrukh Nathanial.
Ao 7Margens, o padre Lazar Aslam, dos franciscanos capuchinhos, afirma que “o silêncio persistente e a minimização de tais incidentes são tão dolorosos quanto a própria violência”, sublinhando que “um diálogo inter-religioso genuíno não pode existir num vácuo de verdade e segurança: enquanto a vida dos cristãos não for tratada com igual dignidade e os responsáveis por tal perseguição não forem chamados à responsabilidade, as palavras vazias de paz continuarão a ser insuficientes para curar as feridas da comunidade”.
O incidente deixou a comunidade cristã paquistanesa preocupada. Joel Amir Sahotra, antigo deputado provincial do Panjabe (ou Punjab) e ativista dos direitos humanos, que recentemente esteve em Portugal, enviou uma mensagem para a Fundação AIS em Lisboa. Um “acontecimento devastador”, ocorrido num dos “dias mais sagrados para os cristãos”, e que causou “imensa dor e medo numa comunidade já vulnerável” é a forma como se refere ao sucedido.
Amir Sahotra diz que “um acto de violência deste tipo contra fiéis é simultaneamente chocante e profundamente angustiante”. E apelando a uma “investigação exaustiva, transparente e rápida sobre o incidente, a fim de garantir que os responsáveis sejam totalmente responsabilizados”, conclui que “é essencial que a justiça não só seja feita, mas também permita restaurar a confiança e promova a segurança de todos os cidadãos, em particular das minorias religiosas”.
Uma menor abusada sexualmente
Já na passada terça-feira, 7 de abril, uma menina cristã de sete anos, brincava na rua em Arifwala (na mesma zona do país, mais a sul), quando foi raptada por um indivíduo identificado como Muhammad Kaif, que a levou para um quarto e a agrediu sexualmente.
Os gritos da vítima alertaram os vizinhos e membros da comunidade, que intervieram. A menina relatou posteriormente os detalhes angustiantes da agressão, que terá sido registada pelas autoridades, de acordo com uma informação do padre Lazar Aslam enviada ao 7Margens.
A vítima provém de um contexto altamente vulnerável, descreve o franciscano: a mãe morreu, o único irmão reside num albergue e o pai sofre de alcoolismo e tem um passado conturbado, tendo aparentemente vendido as suas outras filhas no passado.
Também neste caso o padre Aslam, coordenador da Comissão Justiça, Paz e Ecologia, diz que é necessário garantir que a criança receba protecção legal, cuidados médicos e apoio psicológico.
Texto: 7M/AIS








