A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) anunciou quarta-feira, 25 de março, um reforço significativo da sua ajuda de emergência no Líbano, em resposta à “escalada de violência” que já forçou mais de 1,1 milhões de pessoas a abandonarem as suas casas.
No sul do país, a região mais afetada pela crise, a fundação está a colaborar com a Igreja Católica Maronita para estabelecer novos postos de atendimento médico. Um dos pontos centrais desta intervenção é a aldeia cristã de Qlayaa, situada junto à fronteira com Israel, onde a escassez de medicamentos e equipamentos tem impedido a assistência rápida a feridos.
O padre Pierre al-Raï, que morreu num bombardeamento a 9 de Março, era pároco nesta localidade [ver 7MARGENS]. Aqui, a AIS assegurará não só o fornecimento de material clínico, mas também o financiamento dos salários dos médicos.
“Face ao número impressionante de deslocados que a guerra no Líbano já provocou”, a AIS lançou paralelamente dois novos projetos de ajuda de emergência. Um deles será implementado na diocese maronita de Sidon, no sudoeste do país, com o objetivo de fornecer alimentos e bens de primeira necessidade a cerca de 1.500 pessoas deslocadas internamente.
Outro projeto, na região de Baalbek, no Vale da Bekaa, no nordeste do país, destina-se a cerca de 8 mil pessoas que tiveram de abandonar as suas casas devido aos combates. Ambas as iniciativas estão a ser implementadas em conjunto com parceiros locais da Igreja e encontram-se atualmente na fase final de coordenação.
Toda a ajuda será prestada através de uma vasta rede de estruturas eclesiásticas: paróquias, instituições diocesanas e mosteiros, que têm acolhido as pessoas deslocadas e têm providenciado assistência e alojamento.
Campanha “SOS Líbano” para ajudar todos, não apenas cristãos
Segundo dados citados pela AIS, estima-se que, atualmente, um em cada seis libaneses viva como deslocado interno devido à guerra. Muitas pessoas vivem em edifícios da Igreja, ou com famílias de acolhimento ou ainda em apartamentos alugados. “A Igreja tem ajudado todas as pessoas em necessidade, independentemente da sua filiação religiosa”, sublinha a fundação pontifícia.
A situação do abastecimento também está a evoluir de forma dramática, alerta a organização católica. Para além do fornecimento alimentar básico, outro problema que tem vindo a ganhar destaque é a falta de combustível. Devido aos contínuos cortes de energia eléctrica, muitas instalações dependem de geradores, pelo que a Fundação AIS está a preparar-se também para prestar apoio adicional nesta área.
Reconhecendo o trauma causado pela violência, a AIS planeia ainda distribuir Bíblias e jogos para ajudar as crianças refugiadas a processar a experiência da fuga. A fundação sublinha que o seu compromisso é de longo prazo, prevendo manter o apoio a escolas católicas e oferecendo acompanhamento psicológico.
Para suportar financeiramente estes projetos, o secretariado português da AIS lançou a campanha SOS Líbano. Catarina Martins de Bettencourt, diretora da fundação em Portugal, faz um apelo urgente à solidariedade: “Os cristãos libaneses são, agora, o símbolo mais visível da Igreja que sofre no mundo”. As contribuições podem ser feitas através do site oficial fundacao-ais.pt ou pelo telefone 217 544 000.
Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.







