Foto: Lusa

Treze corpos não identificados foram encontrados nas praias italianas da Calábria e da Sicília até ao passado dia 18 de fevereiro, segundo o jornal Avvenire, que adianta que se tratam de “corpos de migrantes vítimas de naufrágios”. Giuseppe Durante é comandante da Guarda Costeira de Tropea e no passado dia 17 de fevereiro entrou no mar para recuperar um corpo. “É um homem, definitivamente um migrante, vítima dos muitos naufrágios fantasmas no Mediterrâneo. Reconheci o colete salva-vidas laranja, que é usado ​​por migrantes. Participei em muitos resgates nos últimos anos e reconheço estes coletes.”

O Ministério Público de Paola – onde corpos deram à costa – iniciou uma investigação. Segundo o jornal Avvenire, “a hipótese mais provável é que os migrantes tenham caído de uma embarcação, possivelmente um naufrágio, sem que ninguém soubesse, e tenham sido levados para a costa pelas fortes tempestades recentes”. Por sua vez, o Ministério Público de Vibo Valentia – região onde corpos também foram recuperados – “ordenou autópsias nos corpos encontrados” nas praias do Mar Tirreno, perto de Cosenza. “A causa da morte e quaisquer sinais de violência nos corpos estão a ser investigados”, assegura a mesma fonte.

Laura Marmorale é presidente da organização Mediterranea Saving Humans e afirma que “transformaram o Mediterrâneo num vasto cemitério”. “Durante dez dias, os nossos grupos locais na Sicília e na Calábria têm monitorizado o fluxo constante de corpos encontrados ao longo da costa, naquilo que é uma trágica confirmação do massacre de migrantes ocorrido no mar entre 15 e 22 de janeiro. Nós perguntamos: será que há alguém nas instituições do nosso país se importe com este massacre e com as centenas de vítimas?”

A rota do Mediterrâneo Central continua a ser a mais mortal para aqueles que fogem do Norte de África para alcançar a Europa. Estimativas da Organização Internacional para as Migrações indicam que só em janeiro mais de 450 pessoas perderam a vida, três vezes mais do que no mesmo mês do ano passado. Segundo a organização Refugiados na Líbia, aproximadamente 1.000 migrantes desapareceram no mar, uma estimativa baseada nos alertas daqueles que ficaram sem notícias dos seus entes queridos que partiram em embarcações.

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