Conferência de imprensa contou com as intervenções de Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, Andrés Carrascosa, representante diplomático da Santa Sé em Portugal, e Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações | Foto: Agência Ecclesia/HM

“Acho que o povo português não tem direito a ser xenófobo”, disse Andrés Carrascosa, representante diplomático da Santa Sé em Portugal, que preside às cerimónias da Peregrinação Internacional Aniversária de Agosto ao Santuário de Fátima, que inicia esta quarta-feira, dia 12. Na conferência de imprensa de apresentação da peregrinação, o arcebispo lembrou que em “muitos momentos da história, muitos portugueses saíram para procurar melhores condições de vida em outros lugares”.

Questionado pelos jornalistas sobre a entrada de milhares de migrantes em Ceuta no final do passado mês de julho, o núncio apostólico em Portugal frisou que o que aconteceu não foi uma crise migratória. “Não é uma crise migratória. É outra coisa. E tem muito a ver com uma geopolítica complexa, que não é fácil de analisar. Porque nada pior do que querer dar soluções fáceis a problemas difíceis. Porque aí, acaba-se no populismo e eu nunca quero cair nessa. Foi uma crise de outro tipo.”

O arcebispo espanhol frisou que o que aconteceu em Ceuta “superou todas as capacidades” e sublinhou que aquela situação “não foi uma questão de migração normal”. “E estas coisas estão muito bem orquestradas”, afirmou, adiantando que existem “outros interesses”. O diplomata da Santa Sé deixou um apelo: “Precisamos, como sociedade, que os nossos responsáveis, a nível nacional e internacional, se sentem serenamente a falar de coisas sérias, de maneira séria”.

A conferência de imprensa contou também com a intervenção de Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana. “Temos que ser bastante claros quanto àquilo que é o pensamento e a Doutrina Social da Igreja em relação à diferença, aos estrangeiros, aos mais frágeis, e às questões da imigração. Não pode haver ambiguidade. E temos que ajudar, a vários níveis, os membros das nossas comunidades cristãs a perceber isso”, referiu, frisando que a discriminação não deve estar presente entre os cristãos.

“Não há espaço para preconceito, discriminação e xenofobia para aqueles que se dizem cristãos.” Para o prelado, aqueles que enveredam por “caminhos extremistas de xenofobia, exclusão social e de concepção da vida e da humanidade em que há cidadãos de primeira e cidadãos de segunda, estão, claramente, fora daquilo que é a sensibilidade cristã e a tradição de fé da Igreja.”

Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações, começou a sua intervenção por recordar Eugénio Fonseca, ex-presidente da Cáritas Portuguesa, que faleceu de forma súbita esta quarta-feira, aos 69 anos. “Ele foi um homem de fé que, pelo seu exemplo, nos deixa um grande legado”. A sua vida fica marcada pela “coerência na defesa dos princípios da Doutrina Social da Igreja e do Evangelho”, disse a responsável.

A peregrinação de agosto deverá reunir milhares de peregrinos na Cova da Iria. Conforme é habitual nesta altura do ano, espera-se uma “presença significativa de migrantes”, segundo os serviços de comunicação do Santuário de Fátima. A peregrinação de agosto integra, também, a Peregrinação Nacional do Migrante e do Refugiado, organizada pela Obra Portuguesa Católica de Migrações.

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