Um grupo de jovens da paróquia de Ermesinde, na região norte de Portugal, dinamizou um encontro por ocasião da visita pastoral de Joaquim Dionísio, um dos bispos auxiliares do Porto, no passado mês de fevereiro. Além do prelado, participaram também outros convidados: uma religiosa da congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, eu próprio e uma leiga, psicóloga de profissão.
Numa intervenção que fiz sobre o papel da mulher na Igreja – um dos temas em reflexão – partilhei esta ideia: “A Igreja tem que ser mais rápida a acompanhar a sociedade, que está em contínua evolução”. Referi que é importante que a Igreja valorize cada vez mais o papel da mulher no seu seio, não só nos centros de decisão, mas também nas comunidades paroquiais, nas dioceses, nos movimentos e em tantas outras esferas eclesiais, e deixei uma reflexão: o que aconteceria à Igreja se todas as mulheres católicas fizessem uma greve de um mês?
Dias mais tarde, encontrei um artigo de opinião sobre este tema escrito por Joaquim Franco, jornalista especializado na temática religiosa. No texto, o autor – mestre e investigador em Ciência das Religiões – referia, entre outras coisas: “O que está em causa é a sintonia com o tempo, em coerência evangélica, a passagem da estrutura da honra para a estrutura da dignidade…” Recordava também que “a primeira testemunha da Ressurreição foi uma mulher… e os homens não acreditaram nela”.
O tema do papel da mulher na Igreja é quase tão antigo como o Evangelho. Ao longo dos séculos, a Igreja foi evoluindo como estrutura e continua a fazê-lo, ainda que, por vezes, a um ritmo mais lento do que o da sociedade. A Igreja não está – nem deve estar – subordinada aos pareceres ou às mudanças culturais da sociedade, pois só deve “obedecer” a Cristo e ao seu Evangelho. No entanto, deve também fazer o esforço de se manter, em certos aspetos, em sintonia com a sociedade em que vive.
Felizmente, os últimos Papas – Francisco e Leão XIV – têm dado sinais desta sintonia crescente. Um dos exemplos mais recentes surgiu no passado dia 14 de fevereiro, com a nomeação da irmã Simona Brambilla, Missionária da Consolata, como membro do Dicastério para os Bispos, organismo que acompanha o processo de nomeação de novos bispos. Em 2025, esta religiosa – superiora geral das Missionárias da Consolata entre 2011 e 2023 – já tinha sido nomeada prefeita do Dicastério para a Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, um organismo responsável pela supervisão de ordens e congregações religiosas a nível mundial.,








