Os bispos afirmaram o direito dos cidadãos a “defenderem os seus direitos através da desobediência civil, protestos pacíficos e reclamações cívicas”. Foto Paolo Sbalzer dePexels

A Conferência Episcopal da Venezuela condenou sem rodeios as ações e declarações do presidente Trump, que visam desencadear “uma mudança política forçada” no país e “o controlo dos seus recursos estratégicos”. Um tal “ato de agressão”, acrescentam, “põe em risco a paz e a estabilidade na região”.

Num comunicado emitido logo no dia 4, os bispos afirmaram o direito dos cidadãos a “defenderem os seus direitos através da desobediência civil, protestos pacíficos e reclamações cívicas” e apoiaram as diligências do Governo de denunciar a agressão perante a ONU e outros fóruns internacionais, invocando o direito à legítima defesa.

O episcopado chamou ainda a atenção para o saldo de mortes de pessoas e destruição de bens, em resultado dos ataques das tropas norte-americanas em solo venezuelano, referidos pela comunicação social, mas sobre os quais parece não haver ainda informação precisa. Manifestando a sua solidariedade com os familiares das vítimas e com os feridos, os bispos pedem para todos “serenidade, sabedoria e fortaleza”.

Por sua vez, a presidência do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM) expressou esta segunda-feira, dia 5 de janeiro, a partir da sua sede em Bogotá, “proximidade e solidariedade” com os bispos venezuelanos e todos os membros do clero e do laicado da Igreja Católica.

Lembrando que “Deus se revela como luz a todas as nações”, o CELAM, “em espírito de comunhão, fraternidade e esperança”, disse que Deus “ilumina a noite e abre novos caminhos mesmo quando tudo parece incerto”.

Os representantes dos episcopados de toda a América Latina e Caraíbas afirmaram-se em sintonia com o Papa Leão XIV que, no Angelus deste domingo, enfatizou que “o bem do povo deve estar sempre acima de qualquer outra consideração”.

Recorde-se que os bispos da Venezuela tiveram uma relação nem sempre fácil com o regime de Nicolás Maduro. Recentemente, o regime tentou induzir divisão na conferência episcopal do país, quando sugeriu que o cardeal Baltazar Porras tinha atuado para travar a canonização de um santo local pelo Vaticano. Os colegas viram-se compelidos não apenas a desmentir essa narrativa, como também reafirmar que o cardeal tinha sido um agente ativo na canonização. Logo depois, na segunda semana de dezembro, o mesmo cardeal, que se preparava para viajar até Madrid, em serviço, foi impedido de embarcar, quando se encontrava já no aeroporto e viu o passaporte ser-lhe retirado pela polícia, sem que tenham sido invocadas razões consistentes.

comunicado do CELAM reforçou ainda as palavras do Papa, quando enunciou os critérios e valores a seguir, com a situação criada pela agressão ordenada pelo presidente dos Estados Unidos: “superar toda situação de violência, respeitar a dignidade de cada pessoa, cuidar dos mais pobres e seguir caminhos de justiça e paz, construídos sobre diálogo e verdade”.

Baseado nesses princípios inspirados pela Doutrina Social da Igreja, o CELAM reitera ao povo venezuelano e aos seus pastores que “eles não estão sozinhos”, incentivando “todo esforço para construir pontes, curar feridas e avançar na reconciliação, sem excluir ninguém.”

Também o Conselho Evangélico da Venezuela publicou um comunicado assinado pelo pastor José G. Piñero, diretor executivo da entidade, no qual exprime “preocupação com o país” e pede aos fiéis que “recorram à oração e à promoção da paz”.

No mesmo texto, o Conselho exortou cidadãos e pessoas de fé a “não se deixarem dominar pelo medo ou pela ansiedade” e recomendou reduzir o tempo nas redes sociais, dando prioridade à oração e à família.

Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

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