A violência na África da Sul ocorrida na sequência da prisão do ex-presidente Jacob Zuma por desrespeito ao Tribunal Constitucional, ao recusar-se a testemunhar por corrupção, levou os líderes religiosos das igrejas da província de KwaZulu Natal, a organizarem uma reunião online de emergência para analisar o cenário de violência e agitação no país. Deste encontro saiu um comunicado, divulgado no site da Conferência dos Bispos Católicos da África do Sul.

No documento, os responsáveis religiosos manifestam uma “séria preocupação” sobre a violência, os assaltos e danos sobre a propriedade com um impacto “direto nos negócios, nos meios de subsistência e no acesso aos alimentos”. “Condenamos, nos termos mais fortes possíveis, a violência que tem causado estragos na nossa província, destruindo propriedades, infraestrutura e negócios, intimidando pessoas inocentes e causando medo e ansiedade generalizados. Afirmamos que isso é totalmente inaceitável e não pode, em hipótese alguma, ser tolerado”, refere Wilfrid Napier, arcebispo de Durban.

Os líderes religiosos apelam ao diálogo e a “intervenções práticas” entre os envolvidos que coloquem de parte a violência, e afirmam que a desigualdade “histórica” pede ações urgentes, de forma a diminuir “o abismo gritante e imoral entre os ricos e as pessoas marginalizadas”. “Pedimos aos nossos líderes políticos, sociais e comunitários que se posicionem pela paz e tranquilidade, para que as questões do dia possam ser abordadas com a participação de líderes de todos os setores da sociedade”, acrescenta Napier.

Através deste comunicado, apela-se ao apoio aos que vivem em maior fragilidade. “O governo, os setores religiosos e comerciais e a sociedade civil juntos têm um papel urgente a desempenhar na resposta aos que estão necessitados e famintos, uma situação que só foi amplificada pela pandemia da covid-19 nos últimos 18 meses. A pobreza e a fome terrível não podem ser ignoradas e devem ser tratadas imediatamente. Deixar essas realidades vividas sem solução não é apenas imoral, mas também preparará um terreno fértil para a inquietação”, considera Nkosinathi Myaka, bispo na diocese do Sudeste da Igreja Evangélica Luterana.

Os líderes religiosos apelam à solidariedade para levar auxílio aos que sofrem com a falta de alimentos. “Continuaremos a jornada e apoiaremos o nosso governo através de orações contínuas e escalaremos qualquer informação que consideremos benéfica para nosso povo, porque as igrejas estão sem palavras neste nível de violência revoltante. Lamentamos com todos aqueles que sofrem e estendemos nossas sinceras condolências a todos aqueles que perderam os seus entes queridos neste momento. Além disso, faremos todo o possível para proteger as crianças, os idosos, os doentes e os vulneráveis ​​através de ações que construam a fé, a esperança e o amor no mundo que nos rodeia”, refere Nkosinathi Myaka. O povo sul-africano está a sofrer com a violência no país desde o passado dia 9 de julho.

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