Deprose Muchena
Deprose Muchena, diretor da Amnistia Internacional para a África Oriental e África Austral

A Amnistia Internacional (AMI) apelou ao governo moçambicano que determine a realização de uma investigação independente às suspeitas de prática de tortura e outras violações de direitos humanos cometidas pelas forças de segurança na província de Cabo Delgado, no norte do país.

Na base deste pedido estão imagens recolhidas pela organização que “mostram tentativas de decapitação, tortura e outros maus-tratos de detidos, o desmembramento de alegados combatentes da oposição, possíveis execuções extrajudiciais e o transporte de um grande número de cadáveres até valas comuns”.

Para o diretor da AI para a África Oriental e África Austral, Deprose Muchena, estas imagens “são uma evidência das graves violações de direitos humanos e da violência chocante que tem ocorrido em Cabo Delgado, longe dos holofotes internacionais”, atrocidades que não podem ser justificadas com os ataques de grupos armados, que nos últimos três anos já provocaram mais de 1.000 mortos e 250 mil deslocados internos.

“A crueldade indescritível exibida nestes vídeos não tem lugar em nenhuma sociedade ou Estado de direito que preze os direitos humanos. O governo de Moçambique tem a obrigação de iniciar imediatamente uma investigação independente e imparcial para trazer os responsáveis perante a justiça ”, disse Deprose Muchena.

Em maio, o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) de Moçambique, Luís Bitone, alertou que a situação em Cabo Delgado está a provocar “danos irreparáveis aos direitos humanos” no país. Um mês antes, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, havia admitido “violações involuntárias” dos direitos humanos pelas autoridades em Cabo Delgado, acrescentando que as denúncias deviam merecer a atenção das autoridades.

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