Maurício Miranda (E), primeiro secretário da aldeia, e Mariana Abedi (D), chefe da localidade, mostram a destruição provocada por grupo armado que a 04 de junho invadiu Naunde, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, 15 de junho de 2018. A parte central de Naunde é hoje um tapete de uma ponta à outra da aldeia, de pedras e barro cinzento, estilhaçado, misturado com cinzas de colmo e estacas de madeira, chão que ainda cheira a queimado. (ACOMPANHA TEXTO DE 23 DE JUNHO DE 2018). ANTÓNIO SILVA/LUSA

O prolongamento da violência armada que se tem vivido nos últimos dois anos e meio na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, está a provocar “danos irreparáveis aos direitos humanos”no país, segundo o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).

Em declarações à agência Lusa, Luís Bitone referiu que a violência em Cabo Delgado já resultou em mortes, deslocamentos em massa de populações, refugiados, destruição de casas e perda de direitos fundamentais das crianças, como o direito à educação, e o prolongamento dos ataques “vai agravar ainda mais o estado dos direitos humanos” nas zonas afetadas pelo conflito.

Sem certezas em relação aos autores morais das ofensivas, o presidente da CNDH de Moçambique considera difícil para o governo a resolução do conflito, por falta de identificação dos mentores da violência e dos seus propósitos.”Há detidos no meio desse processo, mas esses detidos acabam condenados sem informação muito certa sobre os mandantes”, frisou.

Neste sentido, Luís Bitone defendeu que antes de se pedir apoio externo para a resolução do problema, como foi admitido pelo Presidente Filipe Nyusi, devem ser identificados primeiro os autores e as motivações da violência. “Para pedir apoio, é preciso saber com quem se está a lutar e qual é a sua estratégia, neste momento seria prematuro avançar com possíveis sinergias”, ressalvou.

Os ataques em Cabo Delgado, classificados como uma ameaça terrorista, já mataram, pelo menos, 500 pessoas nos últimos dois anos e meio. As autoridades moçambicanas contabilizam ainda 162 mil afetados pela violência armada naquela província.

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