Foram mais de 38.500 os casos registados de violações de género formalmente verificadas pela ONU, das quais 24.174 afetaram crianças, em 22 situações de conflito que aconteceram em diferentes países, só no último ano.
Estes dados, que configuram “um cenário alarmante e sem precedentes na história moderna, onde meninos e meninas são deliberadamente transformados em alvos e armas de combate”, foram denunciados na última quinta-feira, 19 de junho, pela representante especial para Crianças e Conflitos Armados das Nações Unidas, Vanessa Frazier, precisamente no dia em que se evoca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos.
Em apenas um ano, os números atingiram “o pior patamar das últimas três décadas”, segundo aquela responsável. A gravidade da situação leva a ONU a fazer um “apelo urgente” a que se rompa “o ciclo de impunidade que destrói infâncias e deixa cicatrizes na humanidade”.
Para as Nações Unidas, a violência sexual, especialmente contra meninas, deixou de ser um efeito colateral da guerra para se tornar uma prática militar “deliberada e organizada”, sendo o estupro coletivo e o abuso sistemático “táticas para humilhar o inimigo, aterrorizar populações e forçar o deslocamento de comunidades inteiras”.
Segundo as Nações Unidas, muitos destes menores – e em primeiro lugar as meninas – são brutalizados dentro das suas próprias casas ou durante tentativas desesperadas de fuga. Outras enfrentam um horror duplo: são raptadas, recrutadas à força como combatentes e obrigadas a testemunhar ou até a cometer atrocidades sexuais contra seus próprios pares.
Numa mensagem a propósito do Dia Internacional, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que a intensificação dos conflitos globais tem multiplicado os casos de violação, escravidão sexual, casamento forçado e tráfico infantil.
Para o dirigente da ONU, esse crime visa “punir comunidades e destruir laços sociais na raiz”. As consequências são devastadoras e permanentes, gerando graves traumas físicos e psicológicos, exclusão social e estigmatização da vítima. Outro dano é a destruição do próprio conceito de infância”, salienta Guterres.
Para erradicar essa prática e reconstruir a dignidade das vítimas, o secretário-geral propõe uma estratégia global baseada numa “tríade fundamental”, dando primazia à proteção, para garantir a segurança imediata em áreas de crise. Outras medidas sugeridas são a responsabilização dos autores dos crimes na justiça e, por fim o fortalecimento das instituições e do seu bem-estar.
Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.








