Além de jovens de Rôge, a iniciativa contou com participantes de Águas Santas, Fátima e Sintra | Foto: Ana Isabel Nunes

A povoação de Rôge, no município de Vale de Cambra, acolheu cerca de duas dezenas de jovens com idades compreendidas entre os 16 e os 27 anos, que se deslocaram até àquele local para ali viverem a Páscoa Jovem Missionária, uma experiência de fé, oração e serviço realizada durante o Tríduo Pascal. A iniciativa decorreu entre os passados dias 1 e 5 de abril e foi dinamizada por uma equipa de animadores ligados aos Missionários da Consolata, entre os quais o padre Nicolas Betino, a irmã Graça Lameiro e vários leigos da congregação.

A beleza do local marcou os participantes. Num testemunho enviado à FÁTIMA MISSIONÁRIA, Raquel Santos afirmou que a possibilidade de “acordar, ver o vale e o nascer do sol que ia espreitando por detrás das montanhas” foi marcante. Também Sofia Polido encontrou na paisagem um refúgio de serenidade: “Acordava, ia até ao terraço, ouvia os pássaros, a água e sentia o vento, o que me trazia uma enorme tranquilidade e paz.”

As características naturais de Rôge deixaram Beatriz Gonçalves fascinada. “Sou apaixonada pela natureza e poder contemplá-la foi maravilhoso. A sua ‘melodia’ guiou as minhas reflexões, permitindo-me conectar melhor com Deus e sentir a Sua presença.” Com os telemóveis “sempre guardados”, foi possível colocar as distrações de lado e viver uma Páscoa “a 100 por cento”, como disse Waynne Cuino.

A experiência colocou em contacto jovens de Rôge com participantes da região de Lisboa, Porto e Fátima que até então não se conheciam, como relatou João Ferraz. “Estava com um pouco de receio sobre como ia ser a ligação entre nós. Sentia que a diferença de zonas podia isolar um pouco as pessoas, mas foi completamente o contrário. Considero que o facto de haver ligeiras diferenças culturais fez com que procurássemos saber mais sobre essas diferenças, conectando-nos mais do que o esperado. A relação entre o grupo foi excelente, superando as minhas expetativas.” Também Helena Almeida sentiu entre o grupo “um ambiente de entreajuda, onde todos estavam incluídos”. Para Diana Ferreira, conhecer jovens de diferentes pontos do país foi mesmo “uma das experiências mais bonitas da Páscoa”.

A relação com a comunidade local foi outro dos pontos fortes identificado pelos participantes, como demonstra Mariana Romão. “O contacto com a população foi uma das partes mais bonitas. Havia uma grande vontade de nos integrar e de partilhar connosco o seu dia a dia. Sempre que precisávamos de ajuda, estavam prontos para nos apoiar, com alegria e simplicidade. Senti que fomos acolhidos não apenas como visitantes, mas quase como parte da própria comunidade, o que tornou esta vivência ainda mais significativa e inesquecível.”

A preocupação da comunidade local com os jovens visitantes foi uma constante. A comida e as casas foram colocadas à disposição dos mais novos, como refere Sofia Polido. “Fomos muito bem acolhidos pela população, que nos oferecia sempre comida e, sobretudo, nos recebia nas suas casas e famílias. Partilhavam connosco um pouco dos seus pensamentos e experiências de vida, o que tornou tudo ainda mais especial.”

Para Fábio Sousa, um dos aspetos mais enriquecedores foi o espaço criado para o diálogo e a reflexão conjunta. O jovem destaca o facto de a iniciativa ter dado “espaço para questionar” e ter fomentado o “debate entre o grupo”. A frase – “Uma fé sem perguntas facilmente se torna fanatismo” – foi uma das que mais marcou Waynne, levando-o a “refletir bastante” sobre a forma como vive a sua fé.

Leonor Mateus faz um balanço positivo da experiência. “Depois de ter vivido esta semana com reflexões profundas, com perguntas incríveis e necessárias, com celebrações fantásticas e com pessoas extraordinárias, é impossível que a partir daqui, tudo seja igual. Aprendi imenso com esta bonita semana. Para mim, a Páscoa deixou de ser apenas uma data no calendário para passar a ser um caminho de entrega e celebração.”

Jovens acompanharam as equipas da visita pascal. Uma das dinâmicas do programa incluiu a representação da Ceia Hebraica, no Centro Cívico de Rôge | Fotos: Ana Isabel Nunes

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