Milhares de peregrinos estão, por estes dias, a caminhar rumo à Cova da Iria. Muitos já chegaram no último fim de semana, e muitos outros continuam a chegar esta segunda-feira, 11 de maio. Os caminhos para Fátima têm sido feitos sob chuva, muitas vezes intensa, e por temperaturas baixas para a época, abaixo dos 20º, que têm acentuado as dificuldades daqueles que caminham e até daqueles que lhes prestam apoio. Além dos coletes refletores, bastões de caminhada e garrafas de água, muitos caminham com impermeáveis e chapéus de chuva.

Entre aqueles que já chegaram a Fátima para a peregrinação dos próximos dias 12 e 13 de maio, está um grupo de Celeirós, Braga, que foi conduzido por Manuel da Cruz, um eletricista de automóveis de 58 anos, que guia peregrinos há 25 anos. Este ano, Manuel guiou 52 pessoas, dos 24 aos 86 anos, de áreas como a advocacia, a enfermagem, a carpintaria, o ensino e a engenharia. “Se eu não rejeitasse, muitos mais iam ainda”, contou à FÁTIMA MISSIONÁRIA, explicando que teve de recusar inscrições para manter o grupo funcional. A maioria contactou-o diretamente, pedindo para caminhar consigo, confiando na experiência acumulada ao longo de um quarto de século.

Manuel da Cruz é eletricista de automóveis e guia peregrinos de Braga até à Cova da Iria há 25 anos | Foto: DR

Este grupo partiu de Celeirós, mas nem todos residem naquela povoação. Entre os participantes estão emigrantes oriundos de França e da Alemanha. Os peregrinos que exercem uma atividade profissional “tiraram férias para ir a pé”. As motivações para rumar a Fátima variam, mas muitas delas passam por promessas relacionadas com problemas de saúde próprios ou de familiares. “A maioria deles têm promessas para pagar”, disse Manuel.

A preparação para rumar até Fátima começou em fevereiro, com caminhadas semanais com uma distância entre os 20 e os 30 quilómetros. A partida do grupo aconteceu na noite do passado dia 4 de maio. Os cerca de 260 quilómetros até à Cova da Iria foram trilhados sobretudo à noite, para fugir ao trânsito. “À noite andamos melhor, mais sossegados e tranquilos na estrada”, justificou Manuel.

Durante o dia descansaram em espaços disponibilizados por instituições, como a comunidade dos Missionários da Consolata de Águas Santas ou o pavilhão da Cruz Vermelha em Cucujães. A logística foi assegurada por uma equipa de apoio com sete elementos, distribuídos por vários veículos. Prepararam refeições, montaram espaços de descanso e garantiram que nada falhou. “Todos os dias comeram pão fresco. As refeições foram feitas na hora”, sublinhou Manuel.

A quem caminha de forma solitária, Manuel sugere cuidados redobrados. “O ano passado encontrámos um peregrino caído junto à estrada. Disse-nos que estava cheio de fome e que não conseguia andar mais. Demos-lhe de comer, perguntou se podia caminhar connosco e assim continuou.” Durante o percurso, diferentes grupos cruzam-se. “Encontramos muita gente. A interação entre os grupos é muito boa porque estão todos ali para o mesmo.”

A chegada a Fátima aconteceu o final da manhã do dia 10 de maio. O grupo está agora alojado na Casa das Irmãs de São José de Cluny. Até ao início das celebrações dos dias 12 e 13 de maio, o grupo de Celeirós seguirá um programa próprio que inclui uma Missa dedicada aos peregrinos e uma visita aos Valinhos. Para alguns, haverá ainda a oportunidade de “pegar no andor de Nossa Senhora de Fátima”, um momento que muitos descrevem como inesquecível e que é o culminar de dias de esforço, noites de caminhada e histórias partilhadas.

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